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PROGRAMAÇÃO DO CIRCUITO SESC DE ARTES

Há uma semana de mais um Circuito SESC de Artes, Penápolis já cria a expectativa com o show de Ellen Oléria, ganhadora da primeira edição do The Voice Brasil, que vem com o show-espetáculo Afrofuturista, onde combina ritmos nacionais com arranjos contemporâneos. Toda a programação será na Praça Carlos Sampaio Filho, a partir das 16h. Confira a programa completa: 
Ellen Oléria | (DF)
Dona de uma bela voz, a brasiliense Ellen Oléria apresenta o espetáculo Afrofuturista, no qual combina ritmos nacionais com arranjos contemporâneos. Já são 15 anos de carreira acumulando prêmios em festivais e cinco discos lançados. Oléria ficou conhecida do grande público como A Voz que Cura , quando venceu o reality musical na TV Globo (2012). Cantando composições próprias ou relendo canções brasileiras, ela mescla a poética das ruas, a linguagem do hip-hop e a performance jazzística.
Com: Ellen Oléria (voz, violão e guitarra), Célio Maciel (bateria), Sandro Jadão (baixo e vocal), Felipe Viegas (teclados e vocal) e Léo Barbosa (percussões e vocal).
Duração: 75 minutos

Cuidado, um Palhaço Mau Pode Arruinar sua Vida | Chacovachi (Argentina)
Com um espetáculo de rua que emociona, o palhaço Chacovachi, uma das referências latino-americanas na arte de fazer rir, tira força do cotidiano para elaborar seus números, em que a política, a morte, o poder, o amor e os ideais são a matéria-prima. Como costuma dizer, sua missão nesse mundo é despertar almas desprevenidas. O malabarismo, a mágica e o equilibrismo servem de pretexto para um encontro divertido com o público. Fernando Cavarozzi é o seu nome verdadeiro e, por mais de 20 anos, ele foi um palhaço de rua, tornando-se um ícone em seu país, a Argentina. Hoje, depois de percorrer importantes festivais de circo, ele dirige o Circo Vachi e a Convenção Argentina de Malabarismo. O humor ácido, a comunicação direta e sua particular visão do mundo marcam a personalidade desse inigualável palhaço.
Texto, Concepção e Atuação: Fernando Cavarozzi (Chacovachi) / Produção no Brasil: Difusa Fronteira.
Duração: 50 minutos
Dançando na Cidade | Silenciosas + GT’AIME (SP)

Os bailarinos da companhia improvisam uma coreografia que dialoga com o espaço urbano, criando esculturas móveis ou desenhos tridimensionais efêmeros, aproveitando-se das sensações e imagens que o próprio local evoca. A base sensível desse trabalho é o próprio corpo e sua relação com o espaço e com o público que passa pelo lugar onde se dá a intervenção. Os bailarinos do Silenciosas + GT’AIME improvisam apropriando-se do entorno, sem a ajuda de luz artificial ou música, armando e desarmando cenas descontínuas dentro de um itinerário urbano previamente escolhido. O fim da intervenção, que dura aproximadamente uma hora, acontece naturalmente, numa decisão dos bailarinos diante do público. O grupo vem realizando essa intervenção coreográfica há seis anos em ruas, praças, favelas, comunidades, centros, casas culturais, pontos turísticos e também em manifestações populares, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Direção: Diogo Granato / Bailarinos Oficineiros: Flávia Scheye, Flávio Falcone, Ilana Elkis, Michelle Farias, Verônica Piccini e Victor Abreu / Produção: Cau Fonseca.
Duração: 40 minutos
InCorpóreos | memelab (SP)
Imagine seus batimentos cardíacos e as alterações emocionais de seu corpo captados por sensores e projetados em outra cidade. Essa é a proposta desta instalação sensorial, criando conexões entre pessoas fisicamente distantes.O participante veste um capacete que mede suas ondas cerebrais, além de colocar sensores cardíacos e biométricos de computação física (que captam estímulos musculares). Esses sinais são enviados para um totem em outra cidade. Incorporando esses dados, o totem “ciborgue”, apresenta as projeções com as informações para outra pessoa. O diálogo de emoções se estabelece com imagens artísticas.
Concepção e Criação: memelab.
Leve Livro | MUDA práticas culturais e educativas
Uma estante móvel montada na praça, com cerca de 200 livros para ler e trocar. É só chegar, escolher um e sentar-se num dos bancos da sala de leitura ao ar livre. Essa ação busca criar aproximações entre os leitores, estimulando diálogos literários, conversas sobre os livros que cada um já leu, proporcionando a troca de opiniões e histórias. O público conta com o suporte de dois mediadores que auxiliam na seleção dos livros disponíveis de acordo com o interesse de cada leitor. E eles também entram na roda de conversas com suas experiências. A rua se torna uma biblioteca viva.
Curadoria: Heloísa Sobral e Fábio Figueiredo / Produção e Coordenação: Heloísa Sobral / Concepção, Projeto Cenográfico e Design: Laura Sobral / Cenotecnia: Raphael Franco e Rodrigo de Moraes Machado / Mediadores de Leitura: MUDA Práticas Culturais e Educativas.
Dulcineia Catadora | Dulcineia Catadora (SP)
Como fazer seu próprio livro usando restos de caixas de papelão? As “cartoneras”, como é chamada essa atividade editorial artesanal, têm uma grande importância social, valorizando o trabalho dos catadores, e também literária, já que coloca em circulação obras de novos autores. Em suas oficinas, os participantes encontrarão folhas impressas com textos e fotos, tintas, linhas para costura e papelão, escolherão o conteúdo de seu interesse, montarão seu próprio livreto com costura simples, pintarão as capas e levarão seu livro para casa.
Oficineiras: Lúcia Rosa, Kátia Fiera, Andreia Emboava e Maria Dias da Costa / Escritores Colaboradores: Carlos Pessoa Rosa e Leo Gonçalves.

DE GERAÇÃO A GERAÇÃO ACADEMIA YVONNE PENTEADO VOLTA A ATIVA

Em 2003, o Jornal INTERIOR publicava em nossas páginas um especial que traçava um perfil cativante da senhora Yvonne Correa Penteado, dona da então conceituada regionalmente Academia de Ballet Yvonne Penteado. 
Na época, ela expressava seu cansaço e a vontade de encerrar as atividades da academia – o que aconteceu após dois anos. Entretanto, hoje ela assume que se arrependeu de ter fechado a academia. “Eu não preveni ninguém, fechei do dia para noite. Sinto falta de ver o fundo da minha casa repleta de criança”. 
Mas o que tinha ficado para a contemplação da história, terá novo capítulo a partir de amanhã (27), será inaugurada após 10 anos, a Academia Yvonne Penteado sob a direção de Ingrid Lundstedt, ex-bailarina da companhia de Yvonne que está de volta a Penápolis. “É um sonho pra mim. Pois eu sempre quis ter minha própria academia de dança e poder compartilhar esse sonho a reabertura com dona Yvonne é sensacional”, comenta Ingrid. 
A nova academia de balé está sediada na Rua Joaquim Mendes Braga, 159, no Jardim Hercília, próxima a Teletusa e atrás da Casa da Amizade.  De acordo com a Ingrid o local foi escolhido por que é um lugar tranquilo e com amplo espaço para estacionar.
A escola terá atendimento diferenciado sendo turmas de no máximo 10 alunos, com idade inicial de apenas 2 anos. “Nós teremos turmas com Baby Class que vai dos 2 aos 5 anos de idade, 1º grau a partir dos 6 anos, 2º grau a partir dos 10 anos, Balé adulto básico e intermediário, o Master Class para bailarinos avançados, bem como, o Jazz”. E os horários variam de acordo com a turma e a quantidade de aulas por semana – das 9h às 20h. 
Ingrid lembra os seus primeiros passos na Academia Yvonne Penteado. “Lembro que eu tinha começado o balé o municipal com a professora Suzana e logo a Dona Yvonne me chamou. Lá dancei, dei aula, foram os melhores anos da minha, pois, na academia cujo a fama já era reconhecida, devido a metodologia e aos professores q ali lecionavam. foram 13 anos de academia onde pude contribuir com vários espetáculos incluindo Cirque du Soleil, Lago do Cisnes, Musical Queen, entre outros. Aos 12 anos de idade tive o privilégio de receber o convite da dona Yvonne para assumir como uma das professoras da academia, esse momento me trouxe amadurecimento e conhecimento que agregou grande valor a minha carreira de bailarina”. 
Após a academia fechar, Ingrid foi morar e estudar em São Paulo, onde estudou aviação e se formou comissária de bordo atuando um ano na profissão. Já em 2005 começou atuar na gestão de salões de beleza e estética atuando durante nove anos. No ano passado, atuou com o agenciamento de artistas na região de Campinas. “Por causa do envolvimento neste ramo artístico me trouxe lembranças de minhas  raízes, onde em uma das visitas em Penápolis visitei a Dona Yvonne Penteado e pude entender que ambos os sonhos  ainda existiam – ela de ver a academia reaberta e eu de ter minha própria academia se balé – a partir daí iniciou o projeto de reabertura da academia  Yvonne Penteado”, lembra. 
HISTÓRIA
Yvonne Correa Penteado, conta aos 86 anos de idade que desde pequena procurava avidamente por fotos de bailarinas, o que lhe deixava deslumbrada. Seu pai, flautista e assíduo participante de serenatas, influenciou muito ela nas artes, que sempre teve o balé como paixão incondicional, mas formou-se professora. 
Para que seu sonho tornasse realidade através das três filhas (Martha, Denise e Graice) – e a falta de profissionais do balé era escasso na cidade resolveu ela mesmo de forma inusitada e inédita na cidade montar a Academia de Ballet Yvonne Penteado. O curioso é que ela nunca fez uma aula sequer, nunca nem pôs uma sapatilha. Chamou a jovem penapolense Ana Peters Garcia para lecionar. Em seguida, começou a ir para São Paulo, Piracicaba, Campinas com o intuito de trazer profissionais dessas cidades. “Lembro-me com carinho de Tomaz Gutierrez, argentino de renome internacional, que chegou a dançar para a rainha da Inglaterra também foi professor de nossa academia.
E aquela vontade de continuar disseminando aquilo que sempre tomou conta de sua vida, que foi a arte de expressar o corpo vendo o brilho em seu olhar, tão puro, quanto o olhar de uma criança, em sua primeira aula, vestida de bailarina ainda persiste. Agora tomando novos ares de uma nova história.

PRAÇA DAS ARTES

A Praça 9 de julho viverá momentos de pura efervescência cultural, pois, haverá dois grandes espetáculos – um de teatro e o outra de música. as apresentações acontecem amanhã (24), a partir das 19h30.
O primeiro é o espetáculo teatral “Expresso Caracol”, da Cia dos Pés. Trata-se de um teatro ambulante, que leva a beleza da dança clássica e a magia do circo, trazendo poesia e riso, com artistas que carregam a vida e o espetáculo na mesma estrada. 
A montagem já percorreu 10 cidades do Interior Paulista e assistido por mais de 3.500 pessoas. O espetáculo tem duração de 50 minutos e é indicado para todas as idades.
TRIO
Em seguida acontece o show “Renan Bragatto e Trio”. O show que terá a participação especial de Eduardo Johansen, é liderado por Renan Bragatto (bandolim e sanfona), com os músicos Leandro Miguel (violão 7 cordas), Anderson Silveira (pandeiro) e Eduardo Johansen (trombone).
Eles se reúnem neste show para interpretar grandes nomes da música brasileira, relembrando canções de compositores da envergadura de Adoniran Barbosa, Nelson Cavaquinho e Jacob do Bandolim. Essa apresentação é em parceria da Prefeitura de Penápolis com o Sesc Birigui.

LIVRO DE COLORIR VIRA FEBRE ENTRE ADULTOS

Fonte de alívio das tensões do cotidiano e vazão para a criatividade estão entre os motivos que garantem o sucesso das obras 
Designer gráfico Amanda Ribeiro, de 27 anos
Ter um livro de colorir e uma caixa de lápis de cor não é mais privilégio apenas das crianças. A atividade ganha adeptos também entre os adultos tendo como objetivo aliviar o estresse do dia a dia. 
Os livros trazem elaborados desenhos em contorno preto, com temáticas de plantas e animais, com espaços em branco a serem preenchidos com lápis, canetinhas, giz de cera e muita criatividade. 
Por isso, passar horas em meio a florestas, mandalas e figuras abstratas significa um meio de desconectar, esvaziar a mente e partir para o mundo das cores e imaginação. 
E o que você faz para aliviar o estresse? Algumas pessoas praticam lutas, outras meditam. Agora, também, você pode voltar à infância e colorir um livro. Tudo bem longe do preto e branco dos compromissos e preocupações, além de se tratar de uma atividade lúdica com um “quê” de nostalgia. 
Essa é a proposta dos livros de colorir como o  Jardim Secreto e Floresta Encantada, da escocesa Johanna Basford. A publicação que no Brasil foi lançado pela editora Sextante, é curiosa. São 96 páginas com desenhos dos mais variados jardins – todos em branco, esperando que o leitor pare e dê cor às paisagens. Assim, o livro de pintura para adultos ganha vida e os leitores podem relaxar enquanto interagem com os desenhos. 
A designer gráfico Amanda Ribeiro, de 27 anos, que há algum tempo tomou conhecimento do livro antiestresse através de blogs e vlogs na internet garante a forma lúdica que faz o livro um sucesso. 
“Com ilustrações cheias de linhas bem detalhadas, a pintura acaba sendo minuciosa assim como tricotar ou fazer crochês, que te induz a uma sensação atemporal. Por alguns minutos, eu desliguei minha mente de todas as minhas obrigações e problemas, e de uma forma lúdica, desenvolvi ali minha liberdade e criatividade, tão negada no nosso dia a dia automático e cheio de regras e burocracia” e continua: “Sem contar que trabalhar com cores, na minha opinião, é terapêutico, visto que as cores tem influências psicológica e fisiológica causando sensações. Pintar o desenho do livro também me remeteu a desenhar uma mandala, muito utilizada de forma terapêutica também”, comenta. 
Ao mesmo tempo, precisam encontrar animais e pequenos objetos escondidos entre as paisagens, além de descobrir o caminho certo para pequenos labirintos – tudo, claro, colorindo.
“Outro ponto interessante é o fato de ter que encontrar alguns bichinhos no meio de todas aquelas linhas, o que torna tudo mais lúdico ainda e te trazendo de volta pra infância. Você senta no chão, faz bagunça com os lápis, resgata aquele ser criativo e de mente livre que havia se perdido aí dentro”.
Com um conjunto de lápis de cor à mão, as flores, folhas, árvores e animais tornam o livro único para cada leitor – um jardim muito dificilmente vai ser igual ao outro.
“De pedacinho em pedacinho que você vai pintando, com várias cores e tons enfim, utilizando sua criatividade e habilidades com o lápis de cor, canetinha ou qualquer outro material, sem você ver o tempo passar, o desenho de repente já está super colorido e com um resultado final lindíssimo. Eu recomendo essa viagem onde você se entrega a liberdade de seu próprio ser, deixar ali sua marca, sua personalidade dentro de ilustrações tão lindas”.
VICIANTE
Assistente financeira, Carolina Zacheu, 25
Traduzido para mais de dez países, tem tido destaque por conta de sua proposta. A ideia da obra é que não haja lugar para o estresse durante a interação. Assim, enquanto colore e procura por animais escondidos, o leitor abandona seus problemas e relaxa. 
Para a empresária Carla Braz, 40, que ainda não comprou o livro salienta que ele também tem objetivo retornar à infância e relembra os tradicionais livros de colorir. 
“Eu amei, acho que todo mundo gosta de revistar a infância e o lápis de cor nos remetem a parte mais colorida da infância.  Eu mesmo só ganhei uma caixa de 24 cores na quarta série de presente de aniversário de 10 anos. Quando eu comprar vou usá-lo pra me divertir. Pra me enviar pra aquela época novamente. Não vejo a hora de ir buscar o meu”.  
Já para a assistente financeira, Carolina Zacheu, 25, o livro é completamente viciante e envolvente. “É algo em que começa a pintar e não querer parar mais, faz você viajar para outro mundo, um mundo somente seu, onde você colore e imagina do jeitinho que você quer. Ele é intrigante, com isso de ser um jardim secreto, tenho certeza que no fim vai ter algo, por isso não vejo a hora de terminá-lo” e completa: “Ele possui detalhes fantásticos, muito bem elaborado; é uma leitura diferente mais como eu disse: envolvente. Ele é antiestresse, pois, com toda certeza fico horas viajando neste universo colorido e me esqueço de tudo. Super recomendo”. 
PSICÓLOGA AFIRMA QUE LIVRO PERMITE TEMPO DE PRAZER E DIVERSÃO PARA ADULTOS
Psicóloga Mariana Nogueira, 25
Colorir é uma atividade que costumamos associar às crianças. Conforme crescemos, vamos deixando de lado as canetas e os lápis de cor – a não ser para marcar textos. Mas a atividade de colorir pode ter benefícios para os adultos graças a suas propriedades desestressantes. Ela gera bem estar, tranquilidade e estimula áreas cerebrais ligadas à motricidade, aos sentidos e à criatividade. 
A psicóloga Mariana Nogueira, 25, Clínica Comportare salienta que seus pacientes estão usando esses tipos de livros – que não é conhecido como estratégia terapêutico mas promove a distração. “Ele não é de fato terapêutico mas ajuda na distração. Na abordagem que eu trabalho – cognitiva comportamental – é uma abordagem de terapia breve que tem como finalidade a mudança de vários padrões de comportamento, onde trabalho na reestruturação de pensamentos que são disfuncionais e que interferem no nosso comportamento, com isso, não é uma situação que determina as emoções e comportamentos de um indivíduo, mas sim suas cognições ou interpretações a respeito dessa situação” e continua: “Esse tipo de artifício permite ao individuo um tempo de prazer e diversão, que foi esquecido por ser adulto – adulto não pinta e nem desenha mais né? – resumindo, ele alivia o stress sim”. 
Ela comenta que indicou os livros a alguns pacientes. “Eles estão adorando, o resultado tem sido  bastante relevante, pois, ele ajuda no stress e principalmente no desenvolvimento cognitivo. é uma estratégia lúdica e divertida que além de promover o desenvolvimento cognitivo ajuda no controle do stress e da ansiedade e estimular o desenvolvimento cognitivo, coordenação motora, percepção visual e atenção”. 

CADEIRANTE É EXEMPLO DE SUPERAÇÃO, DEDICAÇÃO E AMOR AO PRÓXIMO

Cristiane Barbosa França, 40 anos, é uma entusiasta da vida, soube fazer de seu sofrimento trampolim para conquistar satisfação pessoal
Com performance exemplar do interprete Ivo Pessoa, a música ‘Uma vez mais” embalou os corações apaixonados de uma geração. Essa mesma canção marca o ressurgimento de um dos sonhos de Cristiane Barbosa França, ou simplesmente, ‘Cris’ – a dança. 
Foi na Rede de Reabilitação Lucy Montoro em São José do Rio Preto que conheceu o poder transformador da dança. Ela que dois anos antes, sofrera uma grave queda fraturando entre a bacia e a coluna e afetando órgão vitais como o intestino e a bexiga. 
“Quando eu me machuquei escorregando em um banco da cidade, foi pela junção de vários fatores como a paralisia, a fraqueza nas pernas e porque eu tinha andado demais naquele dia. Mas, a princípio, nada tinha acontecido comigo, pois, eu levantei e fui pra casa normalmente. Entretanto, no outro dia não levantei mais. Eu fui pro hospital, pro Pronto Socorro e não achava o que era a minha dor, onde fiz um Raio X e deu a fratura. Fui encaminhada para o Lucy e lá cheguei de fraldas. Aos poucos foram me reabilitando conseguindo chegar no medicamento ideia pra mim – a morfina”, lembra.  
Foi através do fisioterapeuta e professor de dança Guto Rodrigues que Cris pode realizar uma aula de dança. “Foi amor a primeira vista, fiz a primeira aula e me apaixonei”. A sua dedicação, fez com que a administração do hospital liberasse a entrada de seu filho Otávio, de nove anos, para que fizesse o trabalho de dança junto com ela. 
“Para irmos a Rio Preto fazemos docinhos de doce de coco e vendemos a R$ 0,70 ou 0,80 o saquinho. Esse dinheiro vai para o cofrinho da viagem e assim ajudar nos custos”. 
A recompensa de tantos ensaios fez com que dançassem lindamente a música “Uma vez mais” no aniversário de Rio Preto. “Meu sonho é ter por aqui uma sala pra dança específica e com professor habilitado”. 
O COMEÇO 
A consciência crítica de Cristiane hoje é fruto de muito sofrimento do passado. E a preocupação de mãe fez que resolvesse um problema de forma inusitada, inclusive para a diretora da escola Marilena Cipriano. 
Um dia seu filho chegara em casa chorando e lhe contou que fora ameaçado de apanhar por ela ser cadeirante. “Na hora liguei para Alessandra, um amor de pessoa, que prontamente abriu a escola para que o psicólogo Júlio Ribeiro, o presidente da Adefipe Antônio Carlos Rosendo e eu fizesse um trabalho na escolas. Mostramos que ser deficiente é igual a qualquer pessoa, mostrei fotos da dança. Hoje eu sou conhecida como mãe do Otávio”, conta com sozinho no rosto. E complementa: “Otávio a partir daquele momento é tratado muito bem. Os meninos que queria bater nele, hoje o defendem”. 
Esse trabalho teve tamanha repercussão que foi reproduzido nas escolas do bairro do Pereirinha e na Mário Sabino onde estudara. “A escola Mário Sabino com certeza mexe muito comigo porque eu sofri todas as atrocidades que uma criança não podia sofrer. Com 11 anos eu comecei a estudar e os professores tentavam me proteger ao máximo, mas quatro crianças me machucavam muito, fazendo eu parar na quarta série”. 
INFÂNCIA 
Cristiane com quatro meses teve a poliomielite e aos sete anos engatinhava como um bebê. “Até aos três meses de vida eu era uma criança perfeita, mas quando me aplicaram o remédio ele não foi eficaz, mas paralisou o avanço da doença”.  
Desde os 4 meses de idade, através do aconselhamento médico de João D´elia, Cristiane operou muitas vez as pernas do joelho pra baixo. “Atualmente a diferença é muito pouco, mas graças as intervenções cirúrgicas. Hoje meu pé é certinho e minha perna tem pouca diferença”. 
Para custear o tratamento a mãe de Cris dependia de ajuda, muitas vezes da antiga transportadora Pirani, que as levavam a São Paulo, mais precisamente no Largo do Arouche, ou dependia de parentes.”Minha mãe me tratou sozinha, meu pai era alcoólatra e me sentia impotente, pois, via minha mãe apanhar do pai e não podia fazer nada”. 
Aos 17 anos começou a trabalhar no Centro Cirúrgico da Santa Casa de Misericórdia de Penápolis mas não pode ficar por muito tempo por não ter oitava série completos. E hoje com 40 anos voltou a estudar no CEEJA para se dedicar a fazer o que mais gosta – atender as pessoas. É secretária da Adefipe (Associação dos Deficientes Físicos de Penápolis). Ela também é mãe de Beatriz e avó de Maria Eduarda. 

Carta à Cristiane

O que falar sobre a Cristiane… Ou, como carinhosamente é mais conhecida, “Cris”?!
Hmmm… acho melhor então, falar sobre o que a Cris NÃO é…
A Cris não é gananciosa e nem ociosa. Não é individualista ou amargurada (nem como ser humano tampouco por ser cadeirante).
A Cris não é supérflua. Não é mesquinha. Não é invejosa ou de querer mal a alguém…
A Cris é um exemplo de superação!
A Cris é uma pessoa cujas limitações a própria desconhece e que surpreende cada vez mais aqueles ao seu redor!
Cristiane: menina no sorriso e mulher na desenvoltura.
Cristiane: pessoa nascida meio uma deficiência que a retirou a possibilidade do livre-caminhar… Entretanto, “livre-caminhar” não significa “não-andar”…
A Cris aprendeu desde cedo a ponderar os movimentos do próprio corpo. 
Em função não ter tomado quando criança a vacina contra paralisia infantil, adquiriu uma doença que a prejudica até hoje, 40 anos depois, sua locomoção e o equilíbrio corporal. Por tal motivo, Cris precisa da cadeira de rodas para se locomover e se fazer andante.
Não obstante o próprio desconforto físico em tenra idade, Cris, que já se deparava com as mazelas da falta do controle do próprio corpo, conheceu também as horrendas mazelas que permeiam o próprio ser humano: intolerância, desrespeito, preconceito, discriminação…
Cris sofreu por muito tempo bullying na escola (penapolense) onde frequentava o antigo primário, ainda com apenas 8 anos…
Levou tapas, socos, pontapés, era empurrada para cair e não ter forças para se levantar, literalmente, rastejando-se para se esconder de tamanha vergonha… Detalhe: sempre aos olhos e gargalhadas de outras crianças que achavam aquilo tudo uma enorme brincadeira, uma grande festa cuja protagonista era um ser humano já em condição de sofrimento interno…
Enfim…
Na literatura, são comuns casos de vítimas de bullying escolar acometerem-se ao crime, à violência, às drogas ou, no intuito de acabar com o sofrimento que vivenciaram (e vivenciam em suas memórias, como prisioneiros de uma infância conturbada), dar fim a própria vivência…
Todavia, estamos falando da Cristiane! “Menina no sorriso e mulher na desenvoltura”!
Cristiane se afastou da escola. Não suportou as violências físicas e psicológicas que sofria naquele ambiente (bem como a falta de interesse dos gestores da escola solucionar efetivamente a situação) e “optou” por abandonar os estudos mesmo mal sabendo a ler e escrever…
Pessoa com deficiência (e não “deficiente”), marginalizada, com infância sem boas lembranças significativas e praticamente analfabeta… Pouco o futuro poderia reservar para esse sujeito…
Cristiane! 
Derivado do nome “Cristina” e que em latim (segundo a “mãe” internet e o “pai” google) significa “ungida pelo Senhor”! Mulher menina forte e centrada! Determinada e ávida por disseminar bons valores!
Verdade ou não, o termo “ungida pelo Senhor” vem bem de encontro com a vida da nossa Cristiane!
Apesar de ter sofrido por sua condição de pessoa com deficiência durante a infância e adolescência (ou acharam mesmo que o bullying acontece apenas nas escolas???), Cris buscou formas de ressignificar sua condição (cadeirante) e tentar, aquilo que dizem, “ser normal”…
Ser normal…
O que vem a “ser normal” em um mundo cada vez mais dinâmico e com novos conceitos/facetas surgindo a cada dia? O que vem a ser normalidade num universo de quase 8 bilhões de singularidades, pensamentos diferentes???
Enfim…
Seja lá qual for o ideal de normalidade internalizado por Cris, a mesma buscou, através do esporte (mais precisamente na natação) uma forma de (re)conquistar a autoestima que muitos lhe tiraram nas brincadeiras sem graça ou nas violências a que Cris foi submetida durante grande parte de sua vida.
Cris passou a nadar. Viu o corpo mudar e a se sentir bem consigo mesma.
Apesar da falta de coordenação motora com as pernas, sentia-se mais segura de sair em público, de se relacionar com outras pessoas, de se olhar no espelho e ver alguém de direitos e socialmente inserido.
O esporte, que entrou na vida de Cris como um meio para que a mesma pudesse dar sentido a própria vida, acabou sendo (talvez o maior de todos) um grande amigo e companheiro. 
Um verdadeiro norteador de planos cada vez mais ousados…
Ousadia…
Como definir ousadia em um mundo cada vez mais ousado e robusto? Num sistema de ser e agir que privilegia o “ativo” e patologiza o “passivo”? Em um modo de se viver onde a felicidade é endeusada e a tristeza vista como fraqueza…?! 
Enfim…
Seja como for, Cris ousou e ousou mais uma vez: começou a dançar!
Por mais distante que possa parecer os termos “pessoa com deficiência” e “dançar”, Cris uniu esses “opostos” e se tornou bailarina em uma tríplice relação entre bailarina, bailarino e cadeira de rodas!
Cris não nega sua condição.
Começou a fazer dança como atividade terapêutica em Rio Preto no Hospital Lucy Montoro (referência nacional no lidar a reabilitação de pessoas com deficiência). 
Porém, por ser a “ungida pelo Senhor”, não se conteve e foi além: passou a praticar mais e mais, cobrar do próprio corpo já surrado e cansado pelo tempo e almejou por limites ainda desconhecidos.
Como um dos resultados, Cris passou a compor uma companhia de dança profissional naquela cidade que se dedicada a todo tipo de “gente às margens” (pessoas com deficiência, idosos, pessoas acima do peso, entre outros). 
Em Penápolis, Cris ainda se deu ao luxo de dançar e mostrar um pouco do seu trabalho na dança de salão com um dos maiores professores deste tipo de dança de todo estado, o sempre elegante, Sandro Frabeti.
Está bem para você?!?!
Mas não para a Cris!!!
Em um recente episódio lamentável na escola onde o seu filho estuda (hããã??? Filho??? Como assim??? Sim! F-I-L-H-O! Relação sexual consentida! Prazer! Orgasmo! Deitar em uma cama e se entregar para um homem! Sim! Pessoas com deficiência também podem!!!), a criança, que é negra, sofreu bullying escolar… (
Algo que nos remete a pensar o que vem sendo feito para coibir esse tipo de violência nas escolas do município… (já que algo igual,  que aconteceu três décadas atrás, voltou a se repetir nos últimos meses em pleno século XXI…).
O “engraçado” (que de graça só leva no nome) é que o “normal”, o “comportamento padrão”, remeteria a ideia de “criança negra = bullying racial”. 
Até ai, “tudo bem”… “aceitável”…
Pasmem: o filho da Cris, com 11 anos idade, sofreu bullying escolar (tendo inclusive que correr para o banheiro feminino para não ser espancado por um grupo de crianças que queriam pegá-lo) meramente, simplesmente, pelo fato de Cris ser pessoa com deficiência… (…)
Ou seja, olha “a Cris” sofrendo bullying novamente…
Como tudo nessa vida que evolui, o bullying, infelizmente, evoluiu junto…
Não basta você ser de uma condição “aceitável” pelos agressores (branco, magro, sem óculos, sexo masculino, hetero, etc). 
Caso você tenha algum parente ou amigo com características “bullynescas” (negro, acima do peso, comportamentos introvertidos, entre outros) também será passivo de sofrer violências físicas e-ou psicológicas numa relação desigual de poder.
E viva a democratização do bullying! Tem violência para todo mundo!
Um problema social que ainda é visto como individual e, ao contrário das políticas públicas para enfrentamento do tema, avança ao ponto de “se modernizar” e atingir as redes sociais (vulgo, “facebook”) através do conhecido por cyberbullying!
Enfim…
Mas Cris é a Cristiane. A “ungida pelo Senhor”…
Lamentar? Chorar? Tirar o filho da escola e deixá-lo numa situação de analfabetismo funcional como a própria mãe ficou? Falar com a diretora da escola para esta chamar os pais dos alunos agressores para que elas batam nos filhos tentando corrigir esse comportamento? 
Não… Definitivamente esse não é modo de agir de Cristiane perante as mazelas da vida…
E foi a Cris fazer limonada com os limões que lhe deram…
Num gesto… no mínimo de extrema sensibilidade, Cris pediu espaço para a diretora da escola onde seu filho estuda para conversar com todos os alunos daquela instituição de ensino sobre a questão do bullying escolar sendo ela mesma, exemplo dos prejuízos que tal atitude poderia trazer na vida de uma pessoa mesmo quando ela se encontrasse adulta.
Sem citar nomes ou apontar culpados (até porque quem cometeu as agressões contra o seu filho saberia que aquelas palavras era para ele), Cris dialogou, com linguagem simples e sincera, sobre esse assunto com um grande número de crianças.
Não por menos, a própria se emocionou, chorou ao falar do tempo em que ela mesma apanhava e precisava se esconder nos banheiros para não apanhar ainda mais (algo que naquele momento estava ocorrendo com o seu filho…).
Em empatia, solidariedade, amor talvez, muitos alunos daquela escola, com faixa etária entre 7 e 11 anos, acompanharam Cris em seu lamento e lacrimejar buscando se imaginar naquele sofrimento que Cristiane recordava.
O encontro terminou… A conversa se encerrou… Cris passou sua mensagem…
Formou-se logo em seguida ao seu “obrigado” uma enorme fila de crianças querendo abraçá-la, confortá-la em sua dor e mostrar um pouco de compaixão por sua vivência.
Depois de muitas selfs, fotos, agradecimentos e até autógrafos, Cris foi embora daquela escola com a certeza de que conseguiu atingir mais um objetivo em sua vida: mostrar que violência e agressão não educam, não formam pessoas, não determinam caráter…
De tão relevante foi esse seu primeiro encontro com as crianças desta instituição de ensino, Cris iniciou um projeto próprio, sem apoio de nenhum órgão público ou partido político, e passou à ser CONVIDADA por outras escolas municipais para conversar com os seus alunos, crianças em fase de desenvolvimento biopsicossocial, com o intuito de ser exemplo vivo dos malefícios que a prática do bullying escolar pode acarretar na formação de um ser humano.
Ah… Cris também voltou a estudar! Hoje cursa o CEEJA de Penápolis e almeja concursos públicos para ter e dar ao filho uma melhor qualidade de vida!
E, claro, por ser “a Cris” (!), arrumou uma paixão e hoje se encontra amando e namorando uma pessoa que a aceita, a compreende, a entende e aprende com sua parceira!
O que falar sobre a Cris? Bem. Vou pensar e voltarei para te contar…

Julio Ribeiro | Psicólogo

CIRCUITO SESC DE ARTES 2015 – O LANÇAMENTO

Até que enfim consegui sentar para escrever minhas impressões sobre o lançamento do Circuito SESC de Artes 2015. O evento aconteceu na terça-feira passada (07), no Sesc Pompéia, em São Paulo.
Cerca de 40 pessoas, entre elas, secretários municipais de cultura e comunicação, assessores de cultura, artistas e imprensa das seis cidades que receberão a caravana na região – Ilha Solteira, Andradina, Araçatuba, Birigui, Penápolis e Lins, estiveram presentes no encontro. Marinho Rodrigues – superior de comunicação do Sesc Birigui, Breno Alves – estagiário de comunicação e Clóvis Carvalho – Programador Cultural, foram os nossos anfitriões.  
A viagem foi tranquila, regada de bons papos e ótimos contatos que com certeza engrandecerão nosso trabalho aqui no Blog do Faria. Chegando lá, fomos recepcionados por artistas circenses, bem como, de grupos de cantigas populares que deram o clima cultural e de informalidade que o evento proporcionava.
COLETIVA
Foto: Ricardo Faria

Nós da imprensa, tivemos a oportunidade de participar da coletiva de imprensa com o diretor regional do SESC São Paulo, Danilo dos Santos Miranda, que nos recepcionou de forma brilhante, expondo o lugar emblemático em que estávamos – antiga fábrica desenvolvida pela grande arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi.

De acordo com Miranda, o Circuito Sesc de Artes – Conectando Lugares, Circulando Ideias chegará este ano a 108 cidades do estado. São números impressionantes – 12 roteiros, 68 trabalhos artísticos, sendo 392 artistas e 615 apresentações, em 547 horas de programação.
Ele explicou ainda que o circuito é uma ação efetiva calcada nas históricas, mas antigas caravanas sociais que o Sesc proporcionava nos idos dos anos de 1960/1970. “Sua programação é uma intervenção no cotidiano da comunidade local, levando um programa mais intenso do que extenso. […] Não esquecendo da ideia de proporcionar acesso e conhecimento das produções artísticas pelo país”, salienta.
A construção das programações que percorrem as cidades foram construídos sobre duas premissas: qualidade e democratização, bem como, o olhar daquilo que é tradicional, como também, daquilo que é contemporâneo. “A arte nos traz a memória das mais diversas questões. […] Nos impulsionando um olhar pra frente, sendo que arte nos ajuda a compreender nos provocando a reflexão – o que é bom ou ruim – nos tira da zona de conforto”.
“Arte não é necessária, ela é fundamental para transformar as pessoas”. Com essa frase justifica os cinco milhões de reais investidos nesta edição do Circuito SESC de Artes. Segundo Miranda, mesmo que o país esteja em um momento de suspensão financeira é importante o investimento em cultura.
E investimentos é que não faltam – ainda este mês inaugurará a unidade do Sesc em Jundiaí e no segundo semestre a unidade de Birigui. Ao ser perguntado como outras cidades fariam para obter uma unidade, Miranda foi categórico: “Nós temos a intenção de abrir em outras localidades, entretanto, seguimos um ranking que obedece três critérios – tamanho da cidade, porte financeiro/econômico/comercial e lideranças locais (influências de políticos como deputados estaduais e federais).
MOMENTO CULTURAL
Foto: Ricardo Faria

Após a coletiva, todos foram para a Choperia do Sesc Pompéia onde teve o show da lambada nortísta do compositor e multi-instrumentista Felipe Cordeiro, um dos destaques da cena musical do Pará, que apresentou o repertório de seu segundo disco solo, “Se Apaixone Pela Loucura do seu Amor”. O próprio músico classifica seu trabalho como “pop tropical”, no qual mistura os ritmos pop com o brega, a guitarrada e a lambada.

AS PEDRAS CONTÉM SUAS VERDADES

Giodarno Pedro | Flickr

Era uma vez na terra da Rainha Chica, vilarejo criado pelo único colunista “Falando Sério” do lugar, existia um prefeito que fora engraxate na rodoviária, mas que almejava ser um importante comunicador da massa. 

Com microfone na mão conquistou a confiança da dona de casa que o escutara e com os míseros 36% dos votos válidos (isto é sem a maioria), elegeu-se alcaide dessa longínqua urbe – localizada no antigo sertão desconhecido. 
Seu vice (que até agora não renunciou), e que se retirou dos holofotes para voltar lobo em pele de cordeiro, foi um dos primeiros e logo após as eleições jogar as pedras do Lajeado e do Maria Chica (rio que leva o nome da rainha), no locutor do povo.
Surpreendentemente e ao invés de recolher as pedras e construir uma barricada dos ataques que viria de todos os lados, juntou-as e distribuiu aos seus ‘amigos secretários’ que usaram contra ele. Vazamentos de e-mails, compras de gramas esmeraldas, superfaturamento de lonas e a demorada ação eficaz contra a dengue (que já matou oficialmente oito pessoas), foram algumas das pedradas. 
Por ser um comunicador nato, o mínimo de que os habitantes daquele vilarejo esperava era uma explicação, mas, o silêncio causou-lhes grande espanto. 
Já os jornais impressos cumprindo seu papel principal de noticiar, publicou as informações contidas nas tais pedras, deixando-o profundamente exasperado e pensativo – É amigo ou inimigo? Afinal de contas no dia da mentira publicar uma verdade? – ‘Dengue’ vira ação no Ministério Público.  
Na naquela semana não seria o único infortúnio, pois, um grande jornal da região repercutiu a instalação de um inquérito civil pelo Ministério Público para apurar possíveis  irregularidades na contratação de procuradores jurídicos pelo município e pela Câmara e também de funcionário para o cargo de assessor de imprensa do Legislativo, sem a realização de concurso público, onde o MP considerou: 

“Considerando que há necessidade de melhor apuração dos fatos para a tomada de providências cabíveis, inclusive a eventual propositura de ação de responsabilidade civil e/ou de ação criminal em face dos responsáveis (…) o Ministério Público resolve instaurar inquérito civil com a finalidade de apurar os fatos acima descritos em todas as suas circunstâncias”. 

Pois bem, a Câmara Municipal da terra da Rainha Chica terá o prazo de 30 dias, para enviar ao Ministério Público cópia da lei municipal que criou o cargo de assessor jurídico e de imprensa, bem como suas atribuições e quem ocupa essas funções atualmente. 
Após três anos, o silêncio já virou atributo, mostrando-nos a cada dia que as pedras contém suas verdades. E como já disse um pensador: “Amigos, se na sua cidade tiver algum político que já disse ter sido engraxate em rodoviária – atenção – fuja e nunca mais pense em votar nele“. 

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