Gosto por cerveja fazem os irmãos Luís Augusto e Zé Roberto a criarem própria marca artesanal

Moa o malte, agora coloque-o em uma panela com 20 litros de água a 65ºC durante uma hora. Após a brassagem é a vez da filtragem – nesta etapa passe por uma peneira e despeja a parte líquida em outra panela e adicione 20 gramas de lúpulo. Depois de ficar por mais uma hora agora resfrie-o rapidamente e passe o líquido para o fermentador. Já na fase da fermentação deixe-o numa temperatura entre 20º e 30ºC durante pelo menos 14 dias. Ótimo, está pronto para engarrafar.

Essa é uma receita básica do que chamamos atualmente de “homebrew” ou a cerveja feita em casa. E neste último capítulo da série ‘GASTRONÔMICA’, trazemos a história de dois irmãos que ousaram e decidiram produzir sua própria cerveja caseira.

O professor de química Luís Augusto Alves Pereira decidiu em meados de 2008, que por curiosidades iria produzir uma cerveja. Aos poucos comprou os equipamentos e logo chamou seu irmão o funcionário público e protético José Roberto Pereira para ajudar nesta empreitada.

“Quando descobri a produção de cervejas caseiras, logo me avisaram que uma mãe de um amigo do meu irmão fazia cerveja em casa. Fui atrás dela, mas, ela infelizmente já havia morrido e seu filho confirmou que sua mãe produzia sua própria cerveja”, lembra Luís que o instigou ainda mais.

O fascínio pela bebida vem de influência da própria família que aos finais de semana se reuniam para celebrar a vida com muito churrasco e é claro – a cerveja. Esse interesse rendeu aos dois grandes coleções de copos, bolachas, rótulos e latinhas do mundo inteiro.

“O pessoal de casa ou amigos próprios sabem que gostamos de tudo que é relacionado a cerveja e por isso que, quando viajam fazem questão de trazer uma lembra para nós”, lembra José Roberto. Mas, Luís completa: “Exceto rótulos, pois, para coleciona-los precisa tomar muita cerveja”.

José Roberto salienta que a ‘brincadeira’ em fazer cerveja é lógico que veio pelo gosto de tomar. “Todos meus irmão tomamos cervejas. Quando era solteira tomava bem mais. Depois enveredamos para as cervejas especiais e com isso entramos na cerveja artesanal”.

PRODUÇÃO
No início desse texto, colocamos uma receita básica de um cerveja feita em casa. Lendo em pouco linhas parece ser um processo fácil de se fazer, definitivamente, não é! Para produzir uma cerveja artesanal precisa de tempo, mas, principalmente de muita dedicação, pois, são processos que podem durar de dois a três meses.

“A primeira etapa de uma cerveja caseira é a moagem ou quebra do malte, após esse processo, levamos ao fogo com água numa temperatura que vamos monitorando de hora em hora, depois filtramos e colocamos em outra panela com os temperos de lúpulo de amargor, lúpulo de aroma e lúpulo de sabor. Dependendo da hora, vai ficar mais amarga, mais saborosa ou mais cheirosa. Depois resfriamos rapidamente e assim colocamos no fermentador”, explica.

Segundo eles, o cozimento pode durante de 4 a 6 horas, intercalando diversas temperaturas, por isso mesmo, que existem diversos tipos de termômetros para medir todo o processo. Desde a brassagem até a hora que é colocada na geladeira.

“Muitos equipamentos são necessários para fazer a cerveja, desde termômetros, balanças de precisão ou aparelhos que medem a densidade”, lembra José Roberto.

Luis explica que as cervejas artesanais não ficam pasteurizadas. “Parafraseando a Cervejas Coruja – cerveja é viva e esse ‘bichinho’ (o fermento) está viva dentro dela, tanto é que se fica muito tempo fora da geladeira ela muda de sabor, por isso mesmo, é que levamos gelo no isopor”, lembra.

Tanto Luís e José Roberto explicam o que público que curtem tomar cerveja artesanal vai ver que nenhuma produção é igual a outra e isso é o que fascina. “Alguns de nossos clientes tem a percepção que não é a mesma cerveja que ele tomou em uma outra oportunidade. Nós podemos fazer o mesmo tipo, estilo e receita de uma cerveja, mas isso depende de outros fatores alheios como a definição da estação do ano”, salienta Luís.

“Contudo, nós já perdemos clientes, pois, o cara não sacou a ideia de que os cervejeiros caseiros não conseguem fazer a mesma cerveja. Pressão atmosférica, umidade, temperatura e tudo isso influência na fabricação da cerveja”, completa José Roberto.

ITAPURA
Quando engarrafaram, as primeiras garrafas vieram com o nome “Franciscana”, em homenagem ao pai Francisco, que ao mesmo tempo estendia aos símbolos franciscanos da igreja católica. “A nossa ideia era que a cada cerveja diferente que criássemos tivesse um nome distinto para homenagear alguém, mas, a nossa segunda cerveja Itapura era mais sonora”.

Itapura é o nome indígena que significa “pedra levantada”, mas, em Penápolis era também nome de rua e que foi transformada no que hoje chamamos de rua Doutor Ênio Soliani. A Itapura está fazendo grande sucesso durante as edições da Feirinha dos Produtores, mas o receito fizeram eles tentam fugir ao máximo do lado comercial.

“Não é nosso mote. Tentamos fugir ao máximo do comercial, tanto é, que nossos rótulos são simples, sem cor e apelos gráficos por que é a nossa ideia mesmo. Nós colocamos cerveja artesanal por causa do apelo popular. Mas nossa linha é a caseira. Aquela de balde, de hobby e de domingo de manhã”.

Mas, o que era para ser um hobby está virando coisa séria e estão no processo de legalização junto a Prefeitura de Penápolis. “Nós já sabemos que o homebrew pode ser inserido no MEI e como ambulante. Nosso produto não pode ser vendido muito longe de onde foi fabricado e isso não é um problema”, comenta José Roberto.

Já para Luis é um sonho que num futuro próximo pode ser a razão de seu sustento. “É um sonho. Não sei o que vai dar no longo prazo, mas no curto prazo, eu quero diminuir o papel de professor e de aumentar o cervejeiro”, finaliza.
Para a próxima edição da Feirinha dos Produtores, Luís e José Roberto levarão uma edição especial – será uma cerveja com bases de cacau.

Fábio Ferracini: De depósito de bebidas à construção de uma marca própria de vinhos

Nada é por acaso. Há 23 anos, Fábio Ferracini com 10 caixas de vasilhames e um freezer inaugurava o depósito de bebidas Ponto Certo, que logo se transformara em Serv Festas. Mas, a sua audácia e principalmente, veia empreendedora o impulsionou a começar um dos maiores projetos de sua vida – a construção de sua própria vinícola.

“Estávamos completando 10 anos e já éramos líder de mercado. Queríamos ampliar nossos horizontes, então somos para São Paulo e de lá conheci o serviço de vinho. Voltei sabendo o que queria fazer, pois, o vinho entrou na corrente sanguínea e não saiu mais”, explica.

Contudo, tinha a vontade mas não a experiência e por isso mesmo foi se especializar. “No início fomos aprender, pois, só vende vinho quem gosta de vinho, quem entra na veia, quem se dedica e vai atrás. Por isso mesmo fizemos um curso de sommelier na Associação Brasileira de Sommelier, numa época que pouco se falava em alto gastronomia no interior e de sommelier muito menos”, lembra.

Com o tempo, Fabinho foi conhecendo mais sobre o mundo do vinho, indo inclusive para outros países da América do Sul, viu ali a oportunidade de abrir sua própria vinícola.
“Tive a oportunidade de ir conhecendo vinícolas de países como Argentina, Chile e Uruguai, até me tornar para além do depósito de bebidas uma importadora de vinhos e foi aí que me deu um ‘clic’ – se eu posso importar, também posso produzir”, comenta.

VINÍCOLA
Fabinho então começa a procurar um lugar que pudesse instalar sua produção de vinhos. Acha no final de 2013, uma área de 2,1 hectares, na Estrada do Mineiro, via de acesso à Rodovia Marechal Rondon. Já em 2014 inicia a construção do empreendimento com mais de 1,6 mil metros de área construída. Ao mesmo tempo, vai atrás de mudas de uvas no Rio Grande do Sul e tempo o apoio de profissionais da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que mantém uma unidade em Jales, especialista em uvas e vinhos.

“Nós tivemos e ainda temos o apoio de diversos profissionais da Embrapa como o Dr. Dimas e de pessoas como o engenheiro agrônomo Ricardo que capacitam nossos profissionais com o manejo da terra e das uvas”, explica.
Tanto é que diversas uvas plantadas na Vinícola Ferracini são de espécies resistentes ao calor. “Precisamos desmistificar a questão de que vinho é somente produzido em regiões frias. É certo que as uvas de adaptam melhor, que a incidência de fungos e menor, que a floração e a brotação assim que acabam o inverno já começam sozinhas a acontecer”.

“Mas, em lugares quentes como a nossa já temos tecnologia suficientes para avisá-las o momento certo de produzir. Não à toa, que temos na região do Vale de São Francisco, duas estações no ano – quente e muito quente, e lá produzem uvas. O segredo é a saber qual uva se adapta”.

Na vinícola entre as espécies que são produzidas são: Carbemet Souvignon, Athaná, Lorena, Moscato Branco. Todavia, todos os vinhos produzidos em Penápolis, ainda não podem ser comercializados por faltarem documento necessária junto a Embrapa. “Esperamos resolver isso o mais breve possível, para podermos colocar Penápolis como produtora de vinhos”, comenta.

PRODUTOS
Atualmente a linha de produtos já está em torno de 13 tipos de vinhos, desde o tradicional ‘La Casa Centenária’ com os suaves e secos, passando pelos vinhos brancos da ‘Rafaelle’, os espumantes Ferracini e em breve com a Cachaça Waldomiro.
“Graças a Deus o La Casa Centenária é líder de mercado na região que compreende Andradina a Penápolis. Já o Rafaelle foi um sucesso de vendas no final do ano e agora vamos expandir nossos produtos para Rio Preto e Bauru”, explica.

Mas, existe um detalhe em cada um dos produtos que está intimamente ligado a família. “A imagem do La Casa Centenária é a frente do depósito de bebidas na época em que meu avô tinha o maquinário para beneficiamento de arroz. Os espumantes Ferracini levam meu sobrenome. Já o Rafaelle leva o nome de meu bisavó da outra parte da família que veio da Itália, tudo tem história”.

Além disso, Fabinho chama a atenção que por trás de todo o glamour que tem o vinho, existe um produtor. “O vinho é feito pelo produtor, aquele que acorda muito cedo, que coloca a mão na massa, que colhe e que planta e que não tem vergonha de mostrar a mão calejada. Portanto, quando você tiver tomado um vinho, lembre-se que tem um produtor por trás”.

FESTAS
Fabinho transformou a Vinícola Ferracini num ponto de turismo, onde as pessoas podem conhecer a plantação das uvas, o processo de fabricação e de armazenamento nos tonéis.

Para isso, irá fazer este ano, pelo menos, cinco grandes eventos. “Nós queremos fazer esses eventos para apresentar a cultura gastronômica de nossa cidade e região. Tanto é que em maio teremos o Chef Rodrigo Alvarez do Grill 187 e em agosto a Festa da Uva”.

A Festa da Uva será realizada nos dois últimos domingos de agosto para aproximadamente 100 pessoas por fim de semana. “Queremos que a pessoa sinta-se com o pé na Itália, na Espanha, podendo pisar nas uvas e provar dos vinhos, sempre com uma banda músicas típicas italianas”, finaliza.

 

Adriano Mosca: De joalheiro à pizzaiolo de um dos principais disk pizzas da cidade

A história da família Élcio Adriano Mendes Mosca, ou simplesmente Adriano Mosca, confunde-se com uma das principais tragédias da humanidade – a primeira guerra mundial. Seu bisavó, um joalheiro italiano, é obrigado a sair do país para proteger sua família e vem todos ao Brasil.

Já em terras brasileiras, parte de sua família contrai peste bubônica e são obrigados sair de São Paulo para cidades do interior. Passou por Bauru até chegar em 1913 em Penápolis.
Por aqui, trabalhou arrumando armas, enxadas e enxadão até que em 1917 conseguiu montar a Joalheria Mosca, onde hoje é o Banco Itaú.

Contudo, a história de Adriano, é intimamente ligada às tradições da culinária italiana. Desde muito pequeno acompanhava suas avós e sua mãe na cozinha preparando diversos tipos de massas.
Já na adolescência, a curiosidade fazia ele criar diferentes massas para suas pizzas, mas, era impedido de usar o forno por fazer parede-meia com quarto de sua irmã mais velha.

“Tínhamos um forno no fundo, mas, era grudado na parede do quarto da minha irmã, então não podia usar, porque senão esquentava o quarto. Até que minha irmã comprou a casa dela e mudou e daí pude usar o forno”, lembra.

As primeiras “pizzadas” foi com a família e alguns amigos que aprovavam seu talento culinário. “Quando pude finalmente usar o forno, fiz algumas pizzas para a família mesmo. Ia testando massas, jeito de fazer, até o dia que peguei uma massa de pão da minha mãe e transformei ela em massa para fazer pizza e todo mundo adorou”.

“Eu peguei tanto gosto em fazer pizzas que todo fim de semana eram pizzadas em casa ou nas casas de amigos. Com o tempo eles começaram a me incentivar a montar o meu próprio negócio”, comenta.

Suas referências culinárias eram de suas bisavós que veio da Itália, elas além de fazer as tradicionais massas, faziam uma torta de queijo que vem passando por gerações na família. “Hoje quem sabe fazer essa torta é minha irmã. Ela prepara sempre nas comemorações de páscoa e de natal. A torta de queijo parece um panetones e precisar ter muita mão para fazer. Essa torta vai todo tipo de queijo misturado (Gorgonzola, provolone, queijo curado, mussarela), temperos com pimenta do reino, mais ou menos 60 ovos e farinha”.

Mas, até então, Adriano levava as “pizzadas” como um grande hobby, pois, tinha desde seus 15 anos uma profissão – joalheiro. Contudo, na mesma época foi convidado por uma amiga para substituir temporariamente um pizzaiolo de um disk pizza. “Foi uma experiência muito bacana, eu fazia pizzas para amigos, nada comercial. Mas abracei a oportunidade mesmo achando chato ter de mandar embora um outro pizzaiolo. Tirar alguém do serviço é muito complicado”, salienta.

Per Tutti
Um ano depois, Adriano casou com Renata Bussanelli Mosca e montou o disk pizzas Per Tutti, nome dado pelo seu pai Ênio Mosca, que em italiano significa “Para Todos”.
“O nome veio a calhar, eu queria um disk pizzas que pudesse atender à todos de toda cidade, sem distinção. Tanto é que entregamos em bairros que outras pizzarias não entregam”, explica.

A experiência de um ano em outro disk pizzas, fez com que aprendesse a comprar produtos, gerenciar cozinha e principalmente, falar o tempo correto para o cliente.
“Lembro que quando trabalhei lá no disk pizza, a dona falava aos clientes que levaria 20 minutos, mas, sabíamos que pelo tanto de pizza que vendia por noite era no mínimo uma hora. Com o tempo o cliente foi perdendo a paciência. Para se ter uma ideia, entrei fazendo 100 pizzas e sai de lá fazendo 20 por noite”, lembra.

E era justamente isso que Adriano queria evitar em seu disk pizza. “Até hoje falamos o real tempo para o cliente e isso é um de nossos diferenciais, pois, o tempo da pizza para o consumidor é precioso”, explica.

E para justamente atender seus clientes com o menor tempo instalou já no segundo ano de negócio, um sistema de cadastramento automático de clientes que agiliza o atendimento. Além disso, procurou automatizar a produção de pizzas. “Quando iniciamos o disk pizzas batíamos a massa na mão. Hoje com a amassadeira ficou mais fácil e prático preparar a massa. Nós também tempo uma máquina para abrir a massa e dois fornos contínuos”.

Com todo processo automatizado Adriano explica que o tempo médio de uma hora e meia, caiu para em média 45 minutos. “Investimos para otimizar os custos e minimizar as perdas. Montamos uma linha de produção com abertura de massas, montagem e forno e fechamento. Tanto é que para assarmos a pizza no forno contínuo levamos apenas dois minutos. Num dia de pico como sexta, sábado e domingo temos capacidade de produzir 60 pizzas por hora”, explica.

Seu próximo passo é de particionamento dos produtos em embalagens que possam padronizar ainda mais o tamanho da pizza. O disk pizza Per Tutti funciona de terça à quinta e aos domingos, das 19h às 23h e sexta e sábado, das 19h às 00h. O telefone é 3652 1330 e 3653 2020.

Ricardinho Barreto: Do conhecimento em culinária francesa à hamburgueria

Com apenas 31 anos, o chef Ricardo Barreto, o Ricardinho, abriu recentemente o novo ‘point’ gastronômico do município de Penápolis – o Ricardo´s Hamburgueria. Com pouco mais de três meses, o cardápio com lanches especiais, petiscos e uma variada lista de drinks conquistou um público fiel.

O lugar é uma mistura do que tem de mais moderno em decoração com as tradicionais lanchonetes americanas. Em suas paredes pôsteres que remetem a cultura pop americana e desenhos em giz da artista americana, radicada em Penápolis, Lori Ann Ruggiero.

Ricardo é filho do médico Ricardo Barreto e da empresária Luceni Barreto. Ele desde muito cedo teve referências culinárias em casa com a própria mãe e de suas avós, que faziam diversos tipos de massas.
“Desde criança vi minha mãe e minhas avós fazendo comida em casa. Via elas preparando a própria massa, cortando e pendurando em ‘varalzinhos’ para secar. Lembro com carinho dos tortéi de abóbora”, lembra.

Essas lembranças, fez com que após diversas tentativas em medicina, Ricardinho prestasse o curso de gastronomia na USC (Universidade Sagrado Coração) em Bauru. “Entrar no curso pra mim, foi unir o que mais eu gostava de fazer, que é comer, com o conhecimento para criar os meus pratos”, explica.

Após terminar a faculdade, teve a oportunidade de aprimorar seu conhecimento fazendo estágio por seis meses em cozinhas da Bélgica. Na volta ao Brasil, estagiou no Tordesilhas, restaurante de cozinha brasileira assinada pela chef penapolense Mara Salles. Estagiou também no ‘La Vecchia Cucina’, até tornar-se Chef de Cozinha do ‘Boteco da Pizza’, ambos do chef Sérgio Arno.

Neste período, fez pós graduação em gestão de alimentos e bebidas no Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e um curso de sommelier, pela Associação Brasileira de Sommeliers.

França
Após esse período no Brasil, resolveu especializar em cozinha francesa e foi estudar em uma das maiores escolas de culinária do mundo – a Le Cordon Bleu, em Paris. Passou por lá um ano, onde aprendeu a Cozinha Francesa Internacional.

“Por lá aprendi desde a antiga cozinha francesa até os pratos mais sofisticados da atual gastronomia francesa que todo mundo conhece e que privilegia mais pratos em uma refeição, desde os pratos com saladas, queijos, entrada do prato principal, o prato principal e a sobremesa”, explica.

Buffet e restaurante
Já no país, Ricardinho trabalhou em um buffet de alta gastronomia em São Paulo, onde segundo ele, pode aprender a ser verdadeiramente um chef de cozinha.
“A gente sai da faculdade aprendendo o básico, mas aprender gestão de cozinha foi na prática atuando no buffet. O difícil é que o chef geri desde a compra de produtos até a hora que o prato sai da cozinha a mesa do cliente”.

Após cuidar por dois anos e meio, e trabalhando mais de 18 horas por dia num buffet, resolver montar junto com um amigo seu próprio restaurante comercial.
“Estava feliz com o Amélia, faturávamos bem, mas ainda não era o que gostaria de fazer. Estava completando 30 anos e quase oito anos fora da cidade, então resolvi vem minha parte da sociedade e voltar para Penápolis”, comenta.

Hamburgueria
Tempos depois de sua chegada, os donos do “Fogão de Lenha”, antigo restaurante que outrora funcionou onde hoje é o Ricardo´s Hamburgueria, entregou o prédio a família. Daí surgiu a ideia de abrir seu próprio negócio.
Começou a pesquisar e constatou que tinha dado um ‘boom’ de hamburguerias no Brasil. “Frequentei mais de 40 hamburguerias em São Paulo, Bauru, São José do Rio Preto, Araçatuba e Birigui. Até para Nova York fui atrás de novidade”, salienta.

Abrir uma hamburgueria tem podemos dizer que foi um gosto pessoal. “Sempre gostei da comida americana, dos lanches, hambúrgueres, filé de carne e fritas e juntar isso num cardápio com drinks e sobremesas era um sonho antigo”.

Num futuro próximo, Ricardinho pretende abrir mais algumas hamburguerias na região e quiçá uma linha de franquias. A unidade do Ricardo´s Hamburgueria fica na rua Ramalho Franco nº 353. O telefone é 3653 3668. E funciona de terça a domingo, a partir das 19h.

Rodrigo Alvarez: Chef busca na culinária latino americana referências para construir seus pratos

A arte está presente na cozinha e na vida do Chef paulistano Rodrigo Alvarez. Radicado em Penápolis há quatro anos, ele é dono de um dos mais charmosos e emblemáticos restaurantes da cidade – o Grill 187.

Rodrigo é filho da escritora e dramaturga Marilu Alvarez e do produtor e empresário do cantor Toquinho, Genildo Fonseca. As referências artísticas e culturais na infância consolidaram sua personalidade também na cozinha.

Não à toa, que sua cozinha é composta de diversas referências da culinária latino americana. Possui em seu cardápio os melhores pratos da culinária Tex-Mex, ou seja, pratos texanos com nítida influência mexicana como Nachos, Tacos, Burritos e Quesadillas.

“A comida Tex-Mex consolidou o restaurante por ser leve, nutritiva, refrescante e que alimenta. Mas trazemos ela, por entender que não tem rejeição paladar que a (comida) mexicana teria por causa da pimenta. Pelo contrário, levamos ao nosso cliente a pimenta a parte para que possa degustar ou não”.

E recentemente acrescentou também no menu pratos com cortes especiais de carne como o Chorizo argentino e de Angus. “Tivemos esse insight de colocar em nosso menu essas referências das cozinhas argentina e uruguaia, trazendo o melhor de cada um dos pratos como, por exemplo, pouco sal e carne que privilegia o sabor, feitos numa na Char Broiler”, explica.

Aliás, a carne está presente em sua memória gastronômica. “As minhas primeiras referências culinárias eram os churrascos de família que faziam durante as férias na praia”, por isso é que sempre manteve alguns grelhados em seu cardápio. “O grelhado é feito de forma simples, e o simples nem sempre é o mais fácil, mas, que com toda certeza privilegia o sabor do alimento”.

Formação
Depois de trabalhar por mais de 10 anos com seu pai na produtora da família, Rodrigo desejou mudar de ares e ir atrás de seu sonho – fez o curso de gastronomia do Anhembi Morumbi.

“Depois de muito tempo trabalhando com meu pai na produtora, ora indo a campo com os artistas, ora na produção executiva, resolvi investir no que mais me satisfazia. Já na faculdade de gastronomia fui confrontado com a rigidez que a cozinha e meu professor tinham. Ele nos diziam – esquece tudo que vocês aprenderam em casa com a vovó, aqui vocês irão aprender técnicas e habilidades específicas de uma cozinha profissional. Não à toa que os padrões de qualidade e atendimento estão presentes ainda hoje e continuará sendo a todo tempo na minha cozinha”, lembra.

Rodrigo comenta também que o professor dizia que ali eles não criariam nada, exceto no trabalho de conclusão de curso. “A teoria é tudo, e é em cima dela que você pode criar usando técnica ou não. Para se ter uma ideia nós demoramos seis meses para entrar na cozinha”.

“Até hoje quando visto a dólmã lembro da minha época de faculdade onde aprendíamos fazer um simples fundo, ou o tratamento com os vegetais ou o modo certo de fazer tal prato e percebemos o quanto é importante apreender a técnica, pois levamos para o resto da vida”.

Mas, para o chef, a experiência de comandar uma brigada é com o tempo. “Ninguém sai formado e com a experiência para saber comandar uma cozinha”. E ele continua: “O maior desafio é estabelecer um padrão de qualidade”.

Espaço
Antes de mudar para o interior, Rodrigo montou na chácara da família um espaço para eventos exclusivos para família e ou executivos. Mas, devido a problemas de alvará de funcionamento acabou fechando o empreendimento.

Esse improvável fechamento o estimulou a vir para Penápolis, terra de sua mulher, Mirela Maia. “No fim de 2013 vim com a família dela celebrar as festas de fim de ano e percebi que os penapolenses tem um elo importante com a gastronomia, fazendo nestes momentos grandes eventos, onde todos colocam suas melhores roupas para comer em família e isso chamou minha atenção”.

Tanto é, que Rodrigo faz questão de enfatizar que a ideia de vir para Penápolis foi dele. “A família da Mirela estavam voltando para cá, resolvi vender minha casa e investir no nosso negócio por aqui. Alugamos essa casa e começamos seis meses de uma grande reforma para deixar do jeito que imaginávamos, afinal, ela tem o seu charme com detalhes incríveis. Estar aqui, em frente à praça com essa profundidade que só ela proporciona é sem dúvida a mais charmosa da cidade. Isso tudo levamos em consideração para montarmos nosso negócio aqui”.

O salão e as áreas externas do restaurante comportam até 80 pessoas e em cada um dos ambientes possuem uma decoração que chama a atenção pelo rico acervo de peças. Para se ter uma ideia, o espaço possui peças do escultor taubateano Fernando Ito e um grande acervo de cardápios do mundo.

“Meu pai viaja o Brasil e o mundo produzindo o Toquinho e onde ele vai, pede o menu para os chefs que acabam escrevendo lindas dedicatórias”.

Para conhecer o menu do Chef Rodrigo Alvarez, o Grill 187 – Restaurante e Bar, está na Rua Ramalho Franco, 187 e abre de quarta a domingo, das 19h às 23h30. O telefone é 3652 5140.

Fernando Pascoaletto: Cozinheiro usa da criatividade para fazer massas artesanais

A memória afetiva de Fernando Pascoaletto é na cozinha. Seus pais Valdemar Pascoaletto, o Zito e Neuza Cervigne foram donos do Churrascão – churrascaria à beira da Marechal Rondon com diversos outros serviços como hotel, oficina e posto de combustível.

Hoje, um dos principais nomes da culinária penapolense, faz das massas artesanais a sua própria arte. “Quando eu preciso fazer uma massa que nunca fiz, procuro referências, analiso pelo menos três versões, vejo quais são os ingredientes básicos, levo para a minha cozinha e recrio dando o meu toque”.

O seu despertar para o que seria o ‘Pascoaletto Massas Artesanais’ surgiu quando no ócio foi convidado por uma prima para fazer um jantar.

“Eu estava em processo de mudança após quase vinte anos fora. Estávamos nos meses finais de 2013 e o que mais queria fazer era ter um tempo para mim, mas, resolvi aceitar o convite e neste jantar vi que poderia fazer dele um negócio e de lá pra cá não parei mais”.

No início Pascoaletto ainda se dedicava a fazer sobremesas, mas, com o tempo resolveu se dedicar exclusivamente com os diversos tipos de massas.

“Quando de fato resolvi me dedicar, decidi fazer um curso de massas coloridas para me especializar. Agora fico na cozinha de terças às sextas-feiras criando sabores em massas e molhos”, explica.

Pascoaletto lembra que aprendeu fazer massas há 25 anos. “Meu pai cuidou de um restaurante em Campo Grande (MS) e lá nós tínhamos alguns cozinheiros vindos do sul da Itália. E para almoçarem, eles preparavam as massas de talharim”.

Mas foi se aprimorando mesmo ao fazer jantares em sua casa para os amigos. “Adoro esses encontros, pois, além de reencontrar amigos, é o momento onde acabei aprimorando as minhas massas”, lembra.

Para criar, Pascoaletto diz que inspirasse em tudo que mexe com o belo. “Isso me inspira muito a criar. Se eu vejo um decoração, uma louça ou uma roupa e ela diz alguma coisa a mim é porque eu preciso criar algo na cozinha que remeta ao que eu vi, li ou ouvi”.

Segundo ele, suas criações vem do senso paladar. “Eu passo dias e dias pensando, matutando sabores e combinações para que eu possa criar nossos sabores, tanto é, que na semana que vem já tenho algumas ideias da cabeça que vou colocar em prática”.

Pascoaletto faz um paralelo sobre a vida e sua criação na cozinha. “Quem diz que não sabe faz tal coisa na cozinha é porque nunca amou cozinhar. Afinal, criar e viver para mim são as mesmas coisas”.

Moda
A criatividade com os sabores e principalmente com as cores vem de uma outra área de atuação – a moda. Pascoaletto trabalhou por muito tempo em lojas de grifes como a Rouparia K, da Kika Sato e da marca Miriam Pinheiro.

“Quando já trabalhava na Mirian Pinheiro, fui convidado para assumir a gerência da loja em Lins, assumi o desafio e fui. Em Lins morei por quase vinte anos, passando por diversas lojas na cidade”, comenta ele.

Pascoaletto revela que sempre adorou construir coleções e vitrine de lojas. “Sempre gostei de usar e abusar das cores nas coleções e vitrines que eu montava para as lojas que trabalharei”.

Nestes quase vinte anos na moda, contudo, nunca esqueceu das raízes na cozinha e preparava bolos, doces e cafés para as clientes se sentirem mais à vontade.

“Gostava de preparar quitutes para agradar nossas clientes. Era com certeza um diferencial que nossas lojas ofereciam. Isso acabava chamando as clientes para a loja”.

Neste mesmo período, Pascoaletto escreveu uma coluna de gastronomia para a ‘Revista Mais Magazine!’ onde dava dicas e receitas para os leitores.

“Sempre quando eu ia no supermercado sempre encontrava alguém que tinha feito as minhas sugestões de receita. Isso sempre mostrou para mim que a culinária nunca caiu de moda e que não tem nível social”.
Além da revista, Pascoaletto também se aventurou nos negócios gastronômicos. Criou no bosque da cidade de Guaiçara, o Cozinha Pascoaletto.

“O restaurante era na beira de um lago e lá nós tínhamos os nossos próprios pratos, todos assinados por mim. Foram cinco anos muito criativo”.

Pascoaletto possui uma linha enorme de produtos artesanais – Talharim, Nhoque, Lasanha, Rondelli, Hambúrguer Gourmet, Polpetone Recheado, Canelone e outros tipos de massas como integral e sem glúten (por encomenda), escondidinhos e berinjelas à bolonhesa.

Para comprar seus produtos ou encomendar um jantar pode procurá-lo na página do “Pascoaletto Massas Artesanais” no Facebook; por Whatsapp 14 99785 1914 e por telefone 3652 0319. Ou ainda na Feirinha do Produtor nos segundos sábados de cada mês, na Rua Otacílio Ferraz Pacheco, 230, das 8h30 às 15h.