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Fátima Pessoa: Após encenar na vida, foi realizar seus sonhos nos palcos

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Artista enfrentou uma adoção ao nascer, mas após criar seus três filhos, decidiu realizar um sonho que vinha desde a adolescência
Pessoa com seus filhos, da esquerda para direita, Leonardo Moura, 24, Mirela Moura, 33 e Dagnou Pessoa, 30
Manoela, uma idosa que persiste sobreviver para contar suas histórias, após seu filho interná-la num asilo. Córdula, mãe de um dos grandes poetas brasileiros. Jandira com seus três desejos. E uma noiva que através de seus devaneios vive um presente de angustias, sonhos e decepções.
Esses heterônimos são as personalidades de Pessoa – Fátima Pessoa. Mulher que aos 48 anos aceitou o conselho de uma amiga e retomou o sonho de adolescência, após ter criado seus três filhos. “Deixou um sonho pra trás, corre atrás”, dizia ela em gargalhadas se referindo a rima.
Mas a vida pregou-lhe uma peça. A menina nascera em Barbosa, mas aos 11 meses de idade sua mãe biológica precisou entregá-la para adoção e seu pai frustrado por não conseguir oferecer mínimas condições a sua família resolveu dar cabo na própria vida.
Já em Penápolis, foi a menina dos olhos do casal Isabel Sanches Latorre e Francisco Bergamim, cuidando com todo carinho e amor. “Eu tive sorte viu, eles nunca tiveram filhos e por isso me tratavam como uma princesa”, disse.
Com 16 anos fazia parte de um grupo de teatro que ensaiavam no teatro municipal. Mas, aos 23 anos após fazer magistério casou-se e dedicou-se ao trabalho e aos filhos. “Trabalhei como monitora educacional no Auto de Sousa, Anjo da Guarda e Cantinho do Céu”, lembra.
Pessoa teve três filhos: Mirela Moura, 33, Dagnou Pessoa, 30 e Leonardo Moura, 24. Segundo eles, todos os valores morais e éticos foram repassados por ela, quando se entregou integralmente para cuidar dos filhos. “Minha mãe é uma referência de vida pra mim”, fala Mirela. Já para o Leonardo, Pessoa é um porto seguro. “Ela é minha amiga. Com ela me sinto seguro”. E para o Dagnou “Minha mãe é fantástica”.
Em 1999, o casamento de Fátima Pessoa chega ao fim após 20 anos de relacionamento, com isso veio à depressão. “Foi um momento muito difícil, não saia de casa, vivia largada e não tinha vontade pra nada”, afirma.
Dagnou lembra esse momento extremamente difícil. “Minha irmã e eu estávamos na faculdade e precisávamos nos esforçar para terminarmos. Fui trabalhar entregando água para ajudar em casa. Nós nos desdobrávamos em 3 ou 4 para concluirmos o nosso sonho”, lembra emocionado.
ARTES
Pessoa em cena no espetáculo “Makeup – um dia de noiva com a Cia. Teatro Colaborativo Os Mundanos
Com os dois filhos encaminhados era a vez de se dedicar exclusivamente ao caçula Leonardo. Em 2004, procurou o Núcleo Municipal de Teatro para matricular seu filho com 14 anos. “Fui matricular o Léo e quem acabou fazendo foi eu”, lembra.
Segundo Luiz Colevatti, na época diretor do núcleo, Pessoa entrou com graves problemas de relacionamento. “A Fátima não conseguia abraçar ninguém, até que fizemos um exercício em que pedi para todo o grupo abraçá-la, ela chorava, esperneava, queria correr, não conseguia mesmo”, afirma.
Logo que ela entrou no núcleo foi arrastada para o processo de montagem do “EU”, espetáculo que contava a história de Augusto dos Anjos. “Nesta montagem eu fazia a mãe de Augusto [Córdula]. Emagreci mais de 5 kg por causa do medo, da ansiedade da estreia. Eu sofri em cena sabe”, lembra Pessoa.
Após o “EU”, outros espetáculos ajudaram a moldar sua personalidade. Makeup – um dia de noiva, com certeza foi um desses. “Nossa no ‘Makeup’ eu me libertei para o mundo. Fiz coisas que nunca pensei em fazer”, lembra com carinho.
Pessoa se aventurou pelas artes cinematográficas, participando de várias curtas com o diretor Lucas Casella. Um deles “Os três desejos de Jandira”, foi selecionado para ser exibido no canal Brasil.
Há seis anos, Fátima ingressou no grupo Maria Fedida dos atores Daniel Dhemes, Rodrigo Matias e Rafael Freitas, ficando posteriormente apenas Matias e ela.
Com a Maria Fedida constituiu empresa que cuidou por quatro anos da circulação e contação de histórias do Projeto Livrônibus. “Percorríamos os bairros do Silvia Covas, Pevi, Tóquio, Santa Terezinha e Haroldo Caminho contando histórias e nos divertindo com as crianças”, conta.
Neste período montou os espetáculos infantis “Vou contar pra mãe” e “Circulando” fazendo com que enchesse a praça de crianças para vê-los.
Atualmente, o grupo chama-se Gentalha que é responsável por ensinar teatro nos CEUs (Centro Educacional Unificado). Empregam três jovens atores que os auxiliam nas ministrações das aulas e continuam fazendo a arte do palco.
Na última semana esteve em São Paulo, apresentando no Teatro Sérgio Cardoso, o espetáculo dança-teatro “Os anjos de Augusto” ganhador da fase regional do Mapa Cultural Paulista na categoria Dança.
Entretanto, seu desejo é voltar aos palcos com o solo “Será que você sabe o quanto eu te amo?”, peça escrita por ela que conta a história de Manoela, a idosa que foi largada por seu filho num asilo. “Espero voltar o processo de montagem ainda este ano, pois estivemos tão perto de estrear. Estou ansiosa para colocar essa história no palco”.
AMIGOS
O que Fátima Pessoa mais fez nestes últimos anos foi ganhar a admiração e a amizade daqueles que a cerca. Para a atriz Mônica Norte, 22, é difícil de significá-la. “Digo a ela que nossa amizade é uma roda, não tem começo e nem fim. É minha mãe, minha irmã e minha filha. Ela é demais para definir. Não teria outro sobrenome para ela”.
Já para a atriz Janaina Violin, 21, atualmente morando no Rio de Janeiro, ela é a mãe de todos. “Ela tens a coragem e a fragilidade de um artista. Não tente entendê-la, ela é puro sentir, e é por isso que a amamos. Mesmo distante há muito tempo, continuo te amando! Mãe de graça e graças”.
Luiz Colevatti seu primeiro diretor, diz ter a Fátima como amiga pra vida toda. “Ela é uma amiga cúmplice, que guardarei para a eternidade”.
REENCONTRO
Momento de reencontro com a mãe biológica Alzenete Mendes Pessoa em Campinas
Em 2012, aos 57 anos algo inesperado aconteceu. Um sobrinho dela resolveu procurar a tia numa rede social e acabou encontrando. Com isso descobriu que sua mãe biológica, Alzinete Mendes Pessoa estava viva e morando na cidade de Campinas.
O encontro era indispensável e alegria voltou a pairar no coração e no semblante de Fátima Pessoa que em abril de 2013, levou os filhos para reencontrar a mãe, os três irmãos e toda a família.

Reportagem originalmente publicada no Jornal Interior 

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