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Penapolense revela as contradições que a vida proporciona através da poesia

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Maurílio Machi já conta com sete livros publicados, e explica que o livro, depois de escrito e publicado, é propriedade do leitor 
Mauricio Machi revela que suas duas paixões, matemática e poesia, se complementam entre si


“Viveu seu tempo de sobra/ cem anos/ sem obras”. Com essa poesia o penapolense Maurílio Machi, revela as contradições de um artista que não revela a idade, e brinca dizendo que nasceu nos idos de não sei quando, pois, pra ele o tempo realmente não importa. 

Filho da terra de Maria Chica foi contemporâneo de Maria Tereza Alves Viana, fundadora do TAE (Teatro Amador Estudantil), com o qual conviveu e aprendeu a tomar gosto pelos escritos. “Com certeza Maria Tereza foi a grande responsável, a professora que mais me influenciou a gostar de poesias”, relembra. 
“Muito jovem eu gostava da noite, da madrugada, saia andando com os amigos pelas ruas da cidade, subia a Ramalho Franco, descia pela Anchieta, passava em frente ao antigo mercadão municipal e voltava pra casa feliz da vida com todos os aprendizados que tive naquela noite.”
Essas vivências, Maurílio relata claramente em seus livros, transportando para outros ambientes com os quais qualquer leitor se identifique na hora de ler. Tanto é que já na orelha do livro ‘Pedras e Nuvens’ o autor escreve: “O livro, depois de escrito e publicado, é propriedade do leitor, este o possui, interpreta, mesmo não coincidindo com os propósitos do autor”. 
Em ‘Pedras e Nuvens’ o poeta revela que ao mesmo tempo em que existe a leveza de uma nuvem, existe também a rigidez de uma pedra. Pedra essa que pode ser interpretada de várias maneiras, como até mesmos os mais de 21 anos de plena ditadura militar no país. “Chamávamos de comunistas, o regime ditatorial chegou a nos prender aqui em Penápolis.”
Após a prisão, Maurílio Machi foi dedicar-se a formação acadêmica, da qual começou o curso de física na UnB (Universidade de Brasília), mas logo voltou para cidade onde terminou a sua primeira faculdade em matemática na Funepe (Fundação Educacional de Penápolis). Atualmente é doutor em Educação e Políticas Públicas pela UNESP e leciona em duas faculdades: Funepe e Faculdade de Birigui. 
O período que se dedicou os estudos e posteriormente ao trabalho, fez com que se afastasse da produção literária. Por sorte, o professor voltou a escrever, publicando seu primeiro livro de poemas – ‘Faces e Fases’, no inicio de 2011 pela editora Scortecci. 
“Esse livro eu trabalho as muitas faces e fases de uma vida. Por que eu simplesmente gosto das contradições. Aliás, nós somos contraditórios o tempo todo.”
Como se percebe no poema Fábula – “Por detrás do muro/ Espreita a vida/ Não a sua vida/ Mas, talvez a vida que gostaria de ter/ A vida que não viveu/ Que não vive/ E que possivelmente/ Não viverá”.
“A dialética marxista coloca muito essa oposição, que se encontra em meus poemas”, comenta Machi. 
Com sete livros publicados, o autor explica que para escrever poesia é necessário dispor da métrica para contar os sons dos versos. “A matemática e a poesia tem tudo haver, pois, em muitos poemas a disposição das frases se dá pela contagem silábica das palavras”, revela. 
O professor comenta que escreve o que vive, sendo elas coisas boas ou ruins, mas que sua fonte inesgotável é sem dúvida as pessoas. 
“Eu gosto muito das pessoas, nós conseguimos usufruir da vida momentos de pura beleza, pois ela é feita assim, de momentos muito felizes, mas também de profundas tristezas, que nos faz levantar e caminhar”. 
LANÇAMENTO
Na segunda quinzena de agosto, o professor lançará sua mais nova obra literária – ‘Acolhimento ou Recuso’, na 23º Bienal do Livro em São Paulo. 
O livro de poemas nasceu de sua inconformidade com a situação do Brasil. “Como os brasileiros conseguem mentir pra si mesmos”. 
A obra traz a relação entre os homens e suas várias formas de viver e conviver neste mundo, fazendo da poesia um meio para trazer a tona assuntos como a política e a filosofia, sem serem aquelas dos manuais e sim a da mais pura vida. 

Conheça alguns poemas de Maurílio Machi publicado no livro ‘Pedras e Nuvens’

Criação
Quando o homem veio ao mundo
Fez-se festa no universo
Dança o Sol e rubicundo 
Com os astros mais dispersos
O Zodíaco enfeitou-se
Como noite de natal
À via láctea rodeou-se
De alegria sem igual
Bela harmonia dos mundos 
Tudo bem determinado
Rei da criação ao centro
Outros girando ao seu lado 
Dialética
Sim, 
Eu acredito
Que sendo assim
Pode ser, 
Também, 
De outro jeito.
Quem vale mais
A perfeição
O defeito?
Entre o céu e o desatino
Se quem dá carta é o destino
Eu não aceito

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