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Sírios: Refugiados de guerra chegam a Penápolis para reconstruírem a vida

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Eles estavam hospedados num hotel no centro de São Paulo, quando um oficial de justiça penapolense resolveu ajudá-los trazendo-os ao município

Ricardo Faria 
Fotos: Lucas Belussi
Sírios se sentiram acolhidos no Brasil e admiram as belezas naturais do país
Na última terça-feira, 29, chegaram a Penápolis sete sírios que vieram refugiados da guerra civil instaurado no país. Há 19 dias no Brasil, eles estavam hospedados num hotel no centro de São Paulo, quando o oficial de justiça penapolense Cláudio de Lena conheceu a história dos imigrantes e resolveu ajudá-los. 
Ao retornar a cidade, Lena contou o caso para sua mulher Fernanda que procurou as famílias penapolenses com descendência síria e prontamente lhes auxiliara na arrecadação de móveis e utensílios domésticos para a casa que as hospedarias. 
Para Penápolis vieram duas famílias de origem Sunitas: a de Mohammed Bader, 47 anos, com os filhos Sami Bader, 24 e Ghalia Bader, 18. E a da Sundus Alhussein Alnayef, 44, com seus filhos Khaled Alabed, 23, Nourhan Alabed, 20 e Wael Alabed, 17. 
Eles saíram da Síria após os militares da minoria Xiita querer tomar o poder em 2011 e instalar uma ditadura. O povo resolveu sair às ruas para protestarem, no que ficou conhecido por Primavera Árabe. Porém, o governo reagiu e começaram a bombardeio em cima dos manifestantes. 
Segundo Khaled Alabed, o cerco na Síria foi se fechando chegando ao ponto de ficar insustentável morar na capital Damasco. “Por causa da guerra ficávamos a maior parte do tempo em casa, até que um dia nós recebemos uma ligação anônima nos avisando para sair de casa. Logo após a nossa saída ficamos sabendo que ela foi totalmente destruída”, disse. 
A mãe de Alabed, a senhora Sundus Alhussein Alnayef, e o senhor Mohammed Bader perderam seus país e parentes distantes nos bombardeios. “O país ficou sem escolas, empregos, comida, e não havia mais condições de morar”, revela. Por isso, foram obrigados a irem para o campo de refugiados em Deir Azzor lá ficando por volta de sete meses até conseguirem visto para atravessar de carro a fronteira da Jordânia. 
Na capital Amã, todos os jovens que na Síria somente estudavam, precisaram arrumar emprego no novo país. Wael Alabed, de 17 anos, por exemplo, começou a trabalhar como sapateiro. “Cheguei a trabalhar mais de 20 horas por dia e não recebia pelo tanto que trabalhava”, afirma lembrando os momentos de sofrimento. 
Já Sami Bader que chegou trabalhar com esquadrias de alumínio viu sua mulher que está grávida ser atingida na perna ao tentar passar a fronteira da Jordânia ilegalmente. Atualmente ela espera a liberação do passaporte único – documento que autoriza somente uma viagem – para morar no Brasil. 
Diante de toda barbárie sofrida na Jordânia durante os 11 meses de estadia, eles queriam era sair do país, entretanto, nenhuma outra nação vizinha lhes dava o visto. Até que o Brasil concedeu-lhes o visto de turista por serem refugiados de guerra. 
Fotos: Lucas Belussi
Apesar de estarem morando no Brasil, refugiados mantém as tradições de seu país
Em solo brasileiro, no inicio teve dificuldades, principalmente com o idioma, mas parcialmente resolvido com um simples aplicativo de celular – a entrevista foi realizada utilizando o auxílio tecnológico e também em inglês. “Estamos aliviados de estarmos no Brasil. Aos poucos entraremos no ritmo dos brasileiros”, relata Mohammed com um sorriso no rosto e demostrando expressões de alívio. “O país é muito bonito e fomos bem acolhidos. Não estamos sofrendo para nos adaptar culturalmente e estamos muito felizes”, completa.
Os principais objetivos dos sírios são de voltar a estudar, pois, já fazem mais de dois anos que os jovens não frequentam a escola, e com isso aprenderia facilmente o idioma, além de arrumarem emprego para sustentarem as famílias.
Já para o cozinheiro Mohammed, o desafio é outro, precisa de uma nova casa, para morar com sua mulher e seus outros quatro filhos que estão chegando ao Brasil, nos próximos 20 dias. “Ele chega estar desesperado para arrumar outra casa para hospedar a sua família, já que seus filhos sofrem de asma”, diz Lena. 
DOAÇÕES
Segundo Fernanda de Lena o trabalho é desafiador. “Quando sabemos dessa história não tivemos medo, nem vergonha e saímos batemos na porta dos amigos que prontamente nos ajudaram. Nós ganhamos todos os utensílios domésticos e móveis que estão na casa que alugamos. Contamos também com a generosidade do supermercado Varejão que entregou uma carta autorizando eles comprarem tudo o que for preciso”, salienta. 
A família precisa de apoio, pois, a filha de Sundus, a jovem Nourhan Alabed, está grávida de oito meses. “Nós precisaremos de bastantes fraldas, lenços umedecidos, roupinhas recém-nascido para um menino e de uma médica obstetra para que possa fazer todos os exames necessários”, explicou. 
Para Bianca de Almeida, filha de Lena, além do trabalho de traduzir do inglês para o português todos os desejos e necessidades dos sírios, ela ajuda também na arrecadação. Segundo ela, roupas, material para casa, mobiliário são bem vindos. 
Outra necessidade urgente é empregar todos os sírios. “O Mohammed é um exímio cozinheiro, o Sami trabalha com esquadrias de alumínio e motorista, a Ghalia é maquiadora e cabeleireira, o Khaled é professor de inglês e árabe, Sundus é professora de Yoga e o Wael é sapateiro”, completa Almeida. 
Os interessados em colaborar com a família, inclusive, com ajude em dinheiro para pagar o aluguel de R$ 890 podem entrar em contato pelo telefone (18) 3652 2198, na casa da Fernanda de Lena ou (18) 3653 2327 na loja Bem Saúde. 
Entenda a guerra na Síria 
A Guerra Civil Síria é um conflito interno que começou como uma série de grandes protestos populares em 26 de janeiro de 2011 e progrediu para uma violenta revolta armada em 15 de março de 2011, influenciados por outros protestos simultâneos no mundo árabe.
As manifestações populares por mudanças no governo foram descritas como sem precedentes. Enquanto a oposição alegava estar lutando para destituir o presidente Bashar al-Assad do poder para instalação de uma nova liderança mais democrática no país, o governo sírio diz estar apenas combatendo “terroristas armados que visam desestabilizar o país”.
Foi iniciada como uma mobilização social e midiática, exigindo maior liberdade de imprensa, direitos humanos e uma nova legislação. A Síria está em estado de emergência desde 1962, que efetivamente, suspendeu as proteções constitucionais para a maioria dos cidadãos. Hafez al-Assad esteve no poder por trinta anos, e seu filho, Bashar al-Assad, tem mantido o poder com mão firme nos últimos dez anos. 
As manifestações públicas começaram em frente ao parlamento sírio e a embaixadas estrangeiras em Damasco. Em resposta aos protestos, o governo sírio enviou suas tropas para as cidades revoltosas com o objetivo de encerrar a rebelião. 
O resultado da repressão e do confronto com os manifestantes acabou sendo de centenas de mortes, a grande maioria de civis. Muitos militares se recusaram a obedecer às ordens de suprimir as revoltas e manifestações, e alguns sofreram represálias do governo por isso. 
No fim de 2011, a oposição se uniu em uma única organização representativa formando o chamado Conselho Nacional Sírio. A luta armada então se intensificou, assim como as incursões das tropas do governo em áreas controladas por opositores. Em 2012, com combates por todo o país, a Cruz Vermelha Internacional decidiu classificar o conflito como guerra civil, abrindo caminho à aplicação do Direito Humanitário Internacional ao abrigo das convenções de Genebra e à investigação de crimes de guerra.
Segundo informações de ativistas de direitos humanos dentro e fora da Síria, o número de mortos no conflito já passou de 150 mil pessoas, sendo mais da metade de civis. Mais de dois milhões de sírios já teriam buscado refúgio no exterior para fugir dos combates, com a maioria destes tomando abrigo no vizinho Líbano.
Segundo a ONU e outras organizações internacionais, crimes de guerra e contra a humanidade vêm sendo perpetrados pelo país por ambos os lados de forma desenfreada. Desde o início da guerra, as forças leais ao governo foram os principais alvos das denúncias, sendo condenadas internacionalmente por incontáveis massacres de civis. Milícias leais ao presidente Assad e integrantes do exército sírio foram acusadas de vários assassinatos e cometerem inúmeros abusos contra a população.  Contudo, durante o decorrer das hostilidades, as forças opositoras também passaram a ser acusadas, por organizações de direitos humanos, de crimes de guerra.
Essa matéria foi produzida originalmente para a edição desse domingo do Jornal Interior

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