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NO DIA MUNDIAL DO ROCK PENAPOLENSES RELEMBRAM BREVES HISTÓRIAS

No inicio, as vilas da cidade fervilhavam, onde os metaleiros se reuniam para ouvir death e trash metal, sendo apenas nos anos 90, migrando do metal para o punk

No dia 13 de julho de 1985, Phil Collins em um show no megaevento ‘Live Aid’, [evento que ‘abriu’ os olhos do mundo para a miséria no continente africano], expressou o desejo no palco que aquela data fosse celebrado como Dia Mundial do Rock.

Entretanto e apesar de se chamar “Dia Mundial do Rock”, a data só é comemorada aqui no Brasil. Ela começou a ser celebrada em meados dos anos 90, quando duas rádios paulistanas especializadas em começaram a mencionar a data em sua programação, sendo amplamente aceita pelos ouvintes e, em poucos anos, passou a ser popular em todo o país. Contudo, essa data é completamente ignorada em todo o resto do mundo.

De acordo com o jornalista penapolense Fred Di Giacomo e seu amigo, o baterista André Gubolin, que fizeram um breve relato da história do Rock em Penápolis em seu blog ‘Punk Brega’, a primeira geração de um cenário roqueiro iniciou na segunda metade da década de oitenta.

“Penápolis uma pequena cidade era um deserto roqueiro onde o tédio era o maior combustível  para  as bandas de garagens. Sem muitas opções de lazer não havia outra escolha a não ser se trancar em casa e fazer um som”.

Segundo eles, as vilas da cidade fervilhavam, gangues de metaleiros brigavam entre si e se reuniam para ouvir death e trash metal. “Nessa época surgiu a banda ‘Bárbaros do Metal’, fazendo com que o cenário underground ficasse forte por algum tempo. Foi quando realizou os pequenos festivas nas vilas. Até o Clube Corinthians entrou na onda e dedicava diversas noites ao rock, mas, apesar dessa  euforia inicial e com o fim da única banda, a cena se desfez aos poucos”, comenta.
Anos 90
Fred explica que o rock voltaria apenas no início dos anos 90, saindo um pouco da periferia e migrando do metal para o punk. “Por volta de 1990, surgiram duas bandas fundamentais para a cena local – a N.D.A. e Hëllisch. Sendo que, a Hëllisch surgiu de uma brincadeira entre amigos. Era uma galera que sempre se reunia: roqueiros, fãs de Ramones, adolescentes sem ter o que fazer. Eles se encontravam na escola e ficavam fazendo som com os instrumentos da fanfarra, tudo na brincadeira e sem qualquer noção musical. A Hëllisch foi a primeira, e por muito tempo única, banda de punk rock da cidade. Tocavam basicamente Ramones, mas também Raimundos, Sex Pistols, entre outros.

Na mesma época surgiu o N.D.A. (Nenhuma Das Alternativas), banda de pop/rock formada por  Rodrigo Martins, Wellington Ricardo Vieira de Moraes, Ricardinho Fernandes e Lucas Casella.
“As duas bandas tocaram por muito tempo sozinhas, sempre buscando novos lugares para se apresentar e reunindo cada vez mais roqueiros. Era um tempo de camaradagem e extremo amadorismo, com a turma sempre juntas”.

Um dos líderes da N.D.A, o atual vereador Lucas Casella, comenta que o Rock salvou ele. “Quando eu conheci o Rock, eu era um adolescente e com meus 13 para 14 anos de idade, que tinha perdido o pai [ex-vereador João Casella], mas, lá com meus 17 anos, ainda no terceiro colegial os quatros amigos Rodrigo, Wellington, Ricardo e eu resolvemos criar uma banda. Na época pegávamos instrumentos emprestados”, comenta.

Casella lembra que uma das primeiras oportunidades que tiveram para fazer um show, foi quando o José Antônio Lázari, o Zé Antônio, ex gerente do Supermercado Casa Moreira chamou-os para uma apresentação dentro do mercado.

“Nós tínhamos apenas nove músicas no repertório. Acabamos tocando dentro do mercado, no meio do arroz e o único cachê era uma fardo de latinhas de cerveja”, relembra com carinho.
Com a banda tocou no primeiro grande festival organizado por um grupo de amigos – “VAI TOMÁ NO ROCK”. 
“Não tínhamos aparelhagem suficiente para fazer um show e com isso  juntávamos com outras bandas. Na época começou a criar um ambiente propício para tocar, pois, as rádios começaram a tocar Dire Straits, Legião Urbana, entre outros”, e continua: “Me lembro que na época da faculdade, todas as sextas-feiras, eu levava meu violão no ônibus para cantar e brincar com os amigos e quando eu voltava eu já descia na avenida para fazer o show”, salienta.

A cena roqueira começou a se expandir e a conquistar novos espaços, como bares, escolas e praças. “Valia tudo para tocar ao vivo, o N.D.A, por exemplo, ficou célebre pelos covers de Mamonas Assassinas, incorporando, inclusive, a performance bem-humorada da banda nos palcos, com fantasias e tudo mais”, comenta.

Porém com o fim do N.D.A, Casella formou a Tuna com Sandro, Ivan e Ricardo Barone, sendo que, a banda mandava covers de rock nacional e internacional, alternando um set acústico com rock mais tradicional.
“A Banda Tuna fez o seu primeiro em 1996, mas apenas três anos depois sentimos que o nosso trabalho deu um salto de qualidade com a entrada do Ditinho e do Junior. Na época tocávamos no boliche. Já em 2000, quando realizamos diversos shows na AABB, em vários momentos levávamos mais de 1000 pessoas por dia em nossos shows”, lembra.

Em 2001, a Banda Tuna conseguiu gravar seu primeiro CD, porém pouco tempo depois a banda acabou.  “Alguns pessoas começou ficar com graça, outras foram convidadas para tocar em São Paulo e aí foi inevitável. Porém, eu Sandrão e Ivan sempre tocamos juntos e nunca deixamos de tocar. Muitas pessoas vem falar de nossos discos ou até contar que determinado casal deram os primeiros beijos nos shows da Tuna e estão casados até hoje”.
Anos 2000
Nos anos 2000, a dobradinha mais recorrente que se pode ver nos palcos foi Andarilhos/Militantes que tocavam em todos os buracos possíveis, e se apresentaram, inclusive, ao vivo na Rádio Difusora.
Surgiram fanzines, incialmente o Ira! e em 2001 uma série como o “Manifesto Feminista”  e o “Rock Brasil”. Ao lado das bandas um galera sempre comparecia aos shows e mantinha os contatos com o pessoal de fora: Raquel, Bia, Bina, Thaiana, Silvia, Peru e Andrei.

Cena musical foi construída com grandes festivais de Rock

 

No meio da década de 90, o cenário musical já estava consolidado e com eles bandas como a Hëllisch e a N.D.A, que em alguns momentos aparecem depois como Ulisses & Os Guilmarães. Em torno dessas bandas haviam uma galera, entre eles o Gilson “Punk” Moreno.

Hoje com 52 anos, ele é conhecido como “o tio do museu”, [pois trabalha no Museu do Folclore], mas, em sua época foi um dos grandes incentivadores do Rock em Penápolis, principalmente da cena Punk/Rock.
“Eu nasci aqui em Penápolis, mas, muito cedo fui morar em São Paulo e depois em Santos. Por lá a cena Punk era muito forte e quando eu vinha pra cá trazia em fitas K7, o que mais tinha de novidades como Kiss, Deep Purple, entre outros”, comenta.

Ele juntamente com o Overhead e o Cotonete realizaram o primeiro grande festival de Rock – “Vai Tomá no Rock”. O evento foi realizado no Kai-Kan, no dia 11 de outubro de 1995, com apenas três bandas Back Rock de São Paulo e duas bandas da cidade Hëllisch e Ulisses & Os Guilmarães.
“Fomos na raça, alugamos o Kai-Kan, contratamos palco, iluminação, segurança. Estava tudo certo para o show, mas, no mesmo dia teve em Penápolis João Paulo & Daniel e o que era pra ser um sucesso, foi um fracasso de público”, comenta.

Durante o festival que reuniu cerca de 250 pessoas, Gilson relembra momentos interessantes. “A galera que foi lá, com toda certeza era os verdadeiros roqueiros da cidade. Lembro que durante o show do ack Rock, imitando Jimi Hendrix quebrou e botou fogo numa guitarra, tão era nossa preocupação que tínhamos três extintores do lado. Sem dúvida nenhuma esse festival foi um grande sucesso de show e um fracasso de público”, comenta.

Já no inicio dos anos 2000, a cidade voltada a ter festivais de rock, sendo que, o festival que melhor representou essa geração do rock de Penápolis foi o “Urbano Acústico: Concerto de Férias” realizado durante as férias escolares. “Lembro-me que Tuna, Dr. Ratazana, HellFire e Hëllisch [com Cotonete na bateria] subiram no palco e fizeram  a “Avenida”, principal point dos jovens penapolenses, tremer com 5000 watts de potência”.

Entre os festivais destacaram-se “O 1º Massacre da Guitarra Elétrica” e o “2º Karna Rock”, ambos com a presença de Andarilhos (agora com Wilson nos vocais e Marcão do Valle na guitarra), dos Militantes (formados por Junior, Gilvan, Ga, Vandinho e Duardo) e de bandas de fora.

“Os festivais contaram com a presença maciça de público, o que demonstrava a força da nova cena local. Um ônibus cheio de anarcopunks de Araçatuba, ostentando uma bandeira do MST, decorou as ruas da pacata “princesinha da Noroeste””, lembra o jornalista Fred Di Giacomo.

Posterior a isso, teve o festival “Destruindo a Rotina” com oito bandas, entre elas o Dr Ratazana (de volta com a formação original), o Praga de Mãe e os Militantes, as edições dos Festivais Regionais de Rock, o Plis Rock e agora recentemente “Carlão Rock”.

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