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Fred Di Giacomo lança livro “Desamparo” hoje na biblioteca

Reconstruindo a colonização violenta do oeste paulista, o jornalista e escritor penapolense Fred Di Giacomo lança na tarde desse sábado (23), o livro “Desamparo”. O evento será na Biblioteca Municipal “Prof. Fausto Ribeiro de Barros”, a partir das 16h. O livro estará à venda no local, a preço promocional de R$20,00.

“Desamparo” é um dos vencedores do Primeiro Edital para Publicação de Livros da Prefeitura de São Paulo, tendo como marca a precisão ágil do jornalismo com a prosa poética de sotaque caipira.

Segundo Fred, as histórias mais absurdas de “Desamparo” são verdadeiras, o resto é ficção. Antes de passar pelos labirintos da imaginação do autor, porém, a biografia do interior paulista foi pesquisada através de trabalho jornalístico que buscou as origens do povoamento do Estado de São Paulo.

“Entre figuras históricas como o matador dândi Dioguinho e a pioneira que foi ama de leite de Dom Pedro II, nos deparamos com uma pequena biografia do nosso povo, com uma fábula sobre o caminho que nos trouxe ao violento país que somos hoje, com personagens que estrelam um balé de gerações iniciado com os primeiros patriarcas, em um sertão quase bíblico, banhado pelo sangue dos kaingangs, pela malária e pela grilagem de terras”, explica.

E continua: “Em meio a tudo isso, ‘a sertaneja é antes de tudo uma forte’. E Rita Telma é a cabocla que encarnará o destino desta cidade-embrião, nascida na trilha da estrada de ferro. Desamparo é o Brasil, o início do século XX, seu tempo é o resumo da história da humanidade que se repete até os dias de hoje”, salienta.

Flashbacks e reviravoltas vão montando, aos poucos, a tragédia que vai definir o destino de Rita, sua família e seus contemporâneos. A história da nascente cidade corre paralela à busca por vingança. Filha de Maria Chica, viúva pioneira, a protagonista vive atormentada pelo espírito do pai – despojado de suas terras, de sua honra e de seu amor.

A versão sertaneja de Hamlet, que se desenrola na trama, é, também, o tema do romance, nunca terminado, do Coronel Manoel Antero, antagonista de Rita. Odisseu frustrado, desbravando o mar de mato do sertão paulista, o astuto rábula busca na política, no progresso e na semeadura de povoados, o heroísmo que lhe garantiria a imortalidade.

SOBRE O AUTOR
Fred Di Giacomo nasceu em Penápolis, sertão paulista. Filho de professores idealistas que o criaram rodeado de livros migrou para São Paulo para se arriscar como jornalista e chegou a redator-chefe na Editora Abril. Nesse período, foi pioneiro na criação de newsgames reconhecidos internacionalmente, como Science Kombat, lançado pela Superinteressante.

Depois de sete anos e meio, pediu demissão para tocar o Glück Project – uma investigação sobre a felicidade, em Berlim. De volta ao Brasil, escreveu roteiros para o programa “Conversa com Bial”, da Rede Globo, e foi editor e coordenador da Énois – que forma no jornalismo jovem das periferias de São Paulo.

Fred foi coordenador e editor do “Prato Firmeza – o guia gastronômico das quebradas de SP” (finalista do Prêmio Jabuti, em 2017) e é autor de “Canções para ninar adultos” (Ed. Patuá, 2012) e “Haicais Animais” (Ed. Panda Books, 2013), entre outros. Escreve letras e toca baixo na banda Bedibê.

PENAPOLENSES SE DESTACAM NA LITERATURA DESCREVENDO SENTIMENTOS, ANGÚSTIAS OU MOSTRANDO SUA CONDIÇÃO ALBINA

Juliana Costa, Roberto Rillo Bíscaro e Marcos Serafim são alguns dos desbravadores que ousaram escrever e transformá-los em livros

O que seria a humanidade sem livro? Ou sem escritor? Será que sem eles teríamos relatos importantíssimos sobre a história da humanidade?  Os escritores sem dúvida alguma tem a capacidade de expressar em palavras os seus sentimentos, as suas angústias, bem como, sua completa falta de habilidade para concordar com o que está posto dentro da sociedade. 
Nos mais longínquos lugares do mundo nós encontraríamos com toda certeza algum escritor. Mas não precisamos rodar o mundo para falar com um deles – temos eles aqui, perto de nós, nesta terra de Maria Chica que acolheu Cora Coralina acolheu também Juliana Costa, Roberto Rillo Bíscaro e Marcos Serafim. 
Eles são alguns dos desbravadores que ousaram escrever e transformá-los em livros o que havia de melhor das suas neuras, das suas angústias ou simplesmente se despir de todas as vaidades e lançar um livro autobiográfico. 
Não é à toa que o poeta paulistano Mário de Andrade resume perfeitamente a arte de escrever. “Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi”. 
A escritora Juliana Costa comenta que escreve desde muito criança. “Adorava inventar histórias e passá-las para o papel. As lembranças mais antigas que tenho escrevendo é com 12 para 13 anos, quando escrevia fanfictions sobre Arquivo X, um seriado que eu era muito fã”. 
Juliana diz que é uma aficionada por livros e sempre tinha, aliás, tem até um livro em sua cabeceira. 
“Sempre li muito, até hoje, é uma grande paixão e sempre fiquei indignada com o fim das histórias, nem sempre serem como eu gostaria que fosse, então acho que isso me induziu a começar a escrever histórias com o fim que eu queria”. 
Ela comenta ainda que com a adolescência vieram os dilemas, as dúvidas e as paixões, descobrindo o mundo dos poemas. “Era a forma que eu tinha de me expressar, desabafar e gritar para o mundo o que eu queria, mas, em metáforas para, ao mesmo tempo, só eu entender. Desde então nunca parei de escrever”. 
No início de 2013, ela resolver lançar um livro pela editora Clube de Autores, publicação por demanda, com poesias escritas de 2007 até 2013. Porém, o valor de R$ 42 inviabilizou o seu sonho e as vendas foram baixíssima.
“Já passaram-se dois anos e recentemente, com novos poemas escritos, decidi relançá-lo com o mesmo título, “Retalhos de Tinta”, com todos os poemas daquele primeiro mais os novos, só que dessa vez com publicação caseira, assim barateou bastante e cada livro sai por R$ 10,00. O lucro é simbólico mas meu objetivo é divulgar mesmo meus escritos”. 
Autobiográfico
Para o professor e blogueiro Roberto Rillo Bíscaro, escrever para ele está totalmente ligado a sua condição de ser albino e o trabalho que ele desenvolve a frente de seu blog “Albino Incoerente”. 
“Na verdade o que eu tenho escrito é minha autobiografia, que foi uma continuação do trabalho do blog, mas também uma necessidade interna e emocional de colocar as coisas e a minha história de vida em perspectiva. Na verdade escrever pra mim foi rearranjar a história pessoal e colocar fatos e procurar uma certa ordem, dentro da minha história pessoal de superação, isso na verdade é o que m motivou a escrever”. 
Ele comenta que o livro “Escolhi ser Albino”, escrito em 2011, demorou pelo menos um ano para ser elaborado. “Eu escrevi uma versão, li e achei uma versão ruim até por ter formação em literatura, então não fiquei nada contente com ela e ai comecei a escrever de novo. Foi um processo bastante bom no sentido emocional, porque foi uma viagem ao passado pessoal e familiar, sendo que cada parte, capa capitulo eu tinha uma viagem interna, lançando novos olhares para fatos que havia acontecido”. 
Poesia 
Já para o poeta Marcos Serafim, a literatura entrou na sua vida aos onze anos, quando ganhou um  caderno de anotações da sua irmã.  “Foi ali que comecei a escrever o que pensava e o que sentia. Eu fui escrevendo um caderno após outro, ainda os tenho guardados. São escritos com coisas minhas e adaptações de coisas que me tocavam, principalmente a música. E em certo ponto percebi que estava escrevendo prosas poéticas”. 
Marcos possui sete livros publicados, mas lembra com carinho do primeiro “Em meu Jardim Secreto…”, lançado em 2010 na biblioteca municipal. “Reuni nele alguns textos escritos, escrevi novos. Já os livros seguintes seriam poemas, não mais prosas poéticas”. 
Para ele escrever independente com que estiver a mão quando a inspiração vem. Segundo ele não é uma escolha escrever, sendo que, qualquer coisa pode desencadear essa vontade.
“Eu materializo algo que não cabe mais na alma, ou no campo nos sentimentos, e precisa ser materializado, posto para fora. É a forma que tenho de expressar mais intimamente, mesmo que metaforicamente, algo que está dentro de mim, e sente a necessidade de não estar mais. Não escrevi por escrever. Tudo o que fiz veio de algo real, algum acontecimento ou sensação vivido. Quando alguma experiência toca a alma, eu coloco isso no papel, ou na tela [do computador]”. 
Marcos Serafim escreveu também “Alma à tona” de 2012, “Mais de mil palavras – a poesia da imagem” de 2012, “Nuvens de Janeiro” de 2013 “Chiaroscuro” de 2014, “Ex-voto” de 2014, “Tempos Inversos” de 2015. 

PENÁPOLIS RECEBE A ESCRITORA BRUNA BEBER


Os penapolenses apaixonados por literatura terão a oportunidade de participar amanhã (23), a partir das 15h, na Biblioteca “Fausto Ribeiro de Barros”, de um bate-papo com uma das escritoras que foi sensação da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty) de 2013. Com o livro “Rua da Padaria”, a escritora Bruna Beber, faz dos poemas veículos para um retorno a infância e da adolescência vividas em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

Não é à toa que o crítico literário Luciano Trigo classifica-os como: “versos marcados pela ironia e pelo ceticismo, mas também por uma nostalgia sentimental e quase alegre, algo como aquilo que a gente sente quando folheia um álbum de fotografias de família”, e completa: “O que importa não são os fatos, aliás, banais, mas a vida interior que eles ajudaram a construir e formatar – o registro de histórias ouvidas, de frases soltas, das brincadeiras na rua, filtradas pela memória e pela imaginação”. 

Beber é também autora de “Rapapés e Apupos”, “A fila sem fim dos demônios descontentes” e “Balés”. O Blog do Faria entrevistou a poetisa por e-mail e ela falou um pouquinho do processo criativo e da expectativa de conhecer as cidades do interior de São Paulo através do programa Viagem Literária, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo.
FARIA: Você sempre foi incentivada a escrever desde pequena? Lembra quando foi a primeira vez que sentiu que poderia escrever? Como foi pra você?
Bruna: Sim, sempre, comecei participando de concursos de poesia na escola. A primeira vez foi assim, lembro-me da sensação até hoje, parecia tão natural.
F: Você é daquelas pessoas que vê poesia em todo lugar?
B: Na maioria das vezes, sim, e quando não, procuro.
F: Em outras entrevistas você comentou que no livro a “Rua da Padaria” você demorou quatros anos para escrevê-lo. Como foi esse processo? Testou bastante?
B: Sim, escrevi e reescrevi. Gravei os poemas, ouvi várias vezes. Espalhei os poemas que ainda precisavam de resolução em cantos estratégicos da casa para conviver com eles.

F: A memória está muito presente na Rua da Padaria. Qual é a importância que ela tem no livro?
B: Em certo sentido, sim, da primeira infância, grandiosas e primeiras memórias, as construídas/reais, tudo se mistura muito.
F: Como é pra você ser comparada com Leminski? “Leminski de saias”.
B: Foi uma brincadeira que fizeram porque meu livro vendeu muito na FLIP, um dos mais vendidos em 2013, e na época essa discussão de “poesia vende/ poesia não vende” estava bastante comum porque a poesia completa do Leminski tinha batido várias reimpressões em pouco tempo.

F: Qual a sua expectativa em participar do Programa Viagem Literária?
B: Estou muito ansiosa, sempre quis participar do programa. Este ano ainda bem me chamaram. Gosto de viajar para as cidades mais afastadas das capitais, interiores, estados pouco visitados. O público tem um interesse diferente no nosso trabalho e isso é muito gratificante. E o fato de ser nas bibliotecas públicas me instiga mais ainda, eu sempre fui rata de biblioteca.

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