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Teatro Municipal: Palco de mato alto, moradores de rua e de três cavalos

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Com apenas 40% das obras concluídas, a Prefeitura de Penápolis iniciará na próxima semana nova licitação; enquanto isso, artistas aguardam a entrega
A revitalização do Teatro Municipal está parada a quase três anos
Nem as ruínas do teatro grego, tampouco o coliseu e os teatros de palco italiano, na Itália, podem explicar com o que acontece nas ruínas do Teatro Municipal ‘Maria Tereza Alves Viana’.
A ideia é apelar ao deus Dionísio – deus do vinho e do teatro – para explicar. Afinal, foi ele que concedeu a graça para artistas e expectadores, da tão aguardada reforma do velho, mas, charmoso espaço.
A benevolência de Dionísio foi traduzida em dois convênios em 2009, ainda na gestão do ex-prefeito João Luís dos Santos, em que a Prefeitura de Penápolis, assinou com o Ministério do Turismo, tendo como agente financeiro a Caixa Econômica Federal.
Na época, a empresa SB de Souza Construtora ME foi a vencedora do processo licitatório de um empreendimento de mais de meio milhão de reais e que duraria apenas oito meses para a sua revitalização.
Mas entre vários aditivos que postergaram as obras em quase três anos, a empresa parou de vez a reconstrução do prédio. Segundo informações publicadas pela assessoria de comunicação da Prefeitura, em julho de 2013, na imprensa local, um dos motivos para a demora da execução era processo administrativo para liberar os pagamentos do que já havia sido realizado.
“A empresa precisa usar de recurso próprio para executar as fases do empreendimento, e após as etapas a Caixa faz a vistoria e mede o que foi executado, para assim transferir o valor correspondente para a empreiteira”. 
Mas somente em meados do ano passado, a empresa protocolou o pedido de recisão dos contratos, justificando não ser capaz financeiramente de continuar a obra.
Para o secretário de Obras, Reinaldo Morás, um dos responsáveis técnicos para averiguar o andamento da reconstrução do Teatro Municipal, após a desistência da empresa foi possível reativar as negociações para dar continuidade com uma nova empresa.
“Nós (a prefeitura), necessitamos atualizar todos os valores que serão investidos no empreendimento, pois, preços de produtos como cimento e derivados de petróleo são atualizados constantemente”, comenta.
Além da atualização das despesas com a obra, foi refeito uma vistoria no prédio.
“Os engenheiros da Caixa Econômica Federal são minuciosos com a vistoria, e se tivesse alguma avaria no que já fora construído, com certeza eles não teriam liberados para continuarmos com o processo”.
Hoje os 40% da obra concluída estão expostas causando, principalmente, na laje uma sobrecarga que acaba recebendo toda a água da chuva. Reinaldo, explica que foi feito alguns ‘buracos’ para drenar a água, mas que são procedimentos normais em uma construção.
De acordo com a chefe do expediente, Vilma Medeiros Richart Prado, após a finalização de todas as pendências junto a Caixa, a prefeitura estará liberada para realizar nova licitação – “Creio que já na semana que vem poderemos iniciar o processo licitatório”.
Para que não ocorram os mesmos problemas de cinco anos atrás, o Secretário de Cultura e Diretor do Núcleo Municipal de Teatro, Luiz Carlos Colevatti, alerta que a licitação deverá ter instrumentos que permitem empresas qualificadas para realizar a obra.
“Nós temos na região e no estado de São Paulo, empreiteiras que já realizaram a construção de teatros e sabem perfeitamente os cuidado que devem ter durante a execução da obra”.
PREOCUPAÇÃO
O que era pra ser o hall de entrada do Teatro Municipal atualmente está cheio de mato e madeiramento jogados no chão
Colevatti comenta ainda que outra preocupação da Secretaria de Cultura é quanto a sensação de abandono que o Teatro Municipal está atualmente.
São materiais de construção jogados pela obra, mato alto tomando conta do espaço e cavalos de moradoras da vizinhança que viram ali a oportunidade de ‘tratar’ de seus animais, mas principalmente, dos moradores de rua que usam o prédio para fazer suas necessidades e dormirem.
“Foi realizada uma tentativa com várias secretarias, entre elas, a de Cultura, de Esportes, de Saúde e de Assistência Social, para que fosse revitalizado a Praça da Igreja Nossa Senhora Aparecida, mas infelizmente a comunidade não se apoderou do espaço público, deixando a mercê dos moradores”.
Uma moradora que não quis se identificar mostrou a insatisfação com o mau cheiro causado dentro do Teatro Municipal – “Nós todos os dias além de ser importunados pelos moradores que nos pedem comida de manhã, de tarde e de noite, fica o cheiro quase que insuportável do ‘xixi’ que vem do teatro”.
ARTISTAS
Tony Carlos é o responsável por criar a página “Salve o Teatro Municipal de Penápoli” que será desativado apenas quando for entregue
Em 12 de julho de 2013, o ator Antônio Carlos de Oliveira, conhecido como Tony Carlos, criou em uma rede social a página “Salve o Teatro Municipal de Penápolis”, que atualmente conta com 493 seguidores – “A ideia era mobilizar todos os artistas que necessitam do espaço para apresentar seus trabalhos para receber uma resposta concreta da Prefeitura de Penápolis; na época fomos atendidos pelo Prefeito Célio de Oliveira”.
Segundo uma das postagens na página a Prefeitura assumira o compromisso de entregar o Teatro Municipal o mais rápido possível dentro das normas burocráticas do governo, mas em outro momento uma nova data surgiu.
“Durante a Conferência Municipal de Cultura foi entregue um documento dizendo que a obra estaria pronta para o Festival de Teatro desse ano. Cadê?”, ressalta o ator.
Ele explica ainda que na reunião, o prefeito Célio de Oliveira se comprometeu em realizar um informativo com a real situação do Teatro Municipal para explanar aos artistas e expectadores, porém, nunca ocorreu e finaliza dizendo: “Estamos sem teto e avisa – nós só tiraremos a página do ar quanto o teatro municipal estiver entregue a população”.
Procurado pela reportagem o prefeito Célio de Oliveira salientou da importância que o espaço tem para a cultura local e disse que a prefeitura deverá dispensar de recursos próprios (da prefeitura) para terminar, que deverá ser entregue apenas no inicio de 2016.
MANIFESTO DA ATRIZ ALINNE KAROLINE
Nós atores, estudantes, ou meros espectadores. Queremos saber, como fica o nosso teatro? Quando ele vai ser entregue?
Perguntas que não cala, nos precisamos de uma respostas. Hoje o teatro  está em ruínas, não existe mais nada. Apenas lembranças.
Lembranças de quem teve a oportunidade de estar naquele palco. A lembrança de quem teve oportunidade de estar presente assistindo uma apresentação.
As perguntas que não se cala. Porque até agora nada de construir novamente, porque ficar só olhando as ruínas e ficar recordando não vai adiantar nada.
Vamos agir, não é só uma pessoa que quer isso, e sim várias. É muitas pessoas que sobrevive com isso. Com a arte, Ninguém está pedindo muito, apenas pedindo o que é de direito nosso, da nossa cidade, se foram bom para derrubar e prometer entrega em uma data estipulada e não entregou. Agora terá que ser bom o bastante para entregar um teatro bom, um teatro nosso. A onde podemos criar as nossas cenas, o nosso trabalho. Só queremos o que é nosso de direito, nada mais nada menos.

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